Filmes para pensar sobre a sexualidade na 17ª edição do IndieLisboa

Sorry, this entry is only available in European Portuguese. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

A edição deste ano do IndieLisboa volta a olhar de perto temáticas próximas à comunidade LGBTQIA+, chegando também ao reino dos mais pequenos no IndieJúnior.

Em Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt (It is not the Homosexual who is Perverse, but the Society in which he lives), filme de Rosa von Praunheim que se tornou uma obra fundamental do cinema político, Daniel regressa da província para a cidade e testemunhamos a sua passagem por diferentes subculturas gay, onde som é finalmente providenciado a vozes que apenas sobreviviam no silêncio. O filme, presente na retrospectiva que celebra os 50 anos do Forum da Berlinale, onde surgem várias respostas a muitas perguntas que ficaram sem resposta durante demasiado tempo e que o IndieLisboa tenta agora levar a todos, atingiu o seu auge enquanto um filme de transição de tempos dois anos após a abolição da Secção 175 do Código Criminal que criminalizava a homossexualidade na Alemanha. Para ver no dia 31 de Agosto, na Cinemateca, às 19h.

Presente na Competição Nacional este ano encontram-se duas curtas-metragens, Errar a Noite, de Flávio Gonçalves, – para ver no dia 28 de Agosto, no Cinema São Jorge, às 21h45 ou no dia 3 de Setembro, no Cinema São Jorge, às 21h30 – e A Mordida, de Pedro Neves Marques, – no dia 31 de Agosto, na Culturgest, às 18h45 ou no dia 4 de Setembro, no Cinema São Jorge, às 21h30 – que se aproximam da anatomia humana através de narrativas que, de formas diferentes, falam do holístico por trás da intimidade e reprodução humanas, o lirismo do ser.

Desta mesma forma, deparamo-nos com Rizi, a mais recente balada de Tsai Ming-Liang, que nas palavras de Francisco Ferreira para o Expresso “é extraordinário (…) um filme sem palavras, com dois corpos que se atraem contra a solidão.” e um filme que, de forma literal não necessita de palavras para se expressar na sua ausência de diálogo e por consequência, de legendas – para ver no dia 30 de Agosto, no Cinema São Jorge, às 18h ou 4 de Setembro, no Cinema São Jorge, às 21h45.

Também presente na secção Silvestre do IndieLisboa, a secção que evidencia vozes autorais poderosas, potenciando o eco que já existe em cada uma delas, o filme de José Luis Torres Lleiva, Vendrá la Muerte y Tendrá tus Ojos, um casal de duas mulheres juntas há muito tempo deparam-se com uma doença terminal que se intromete na plenitude das suas felicidades – para ver no dia 30 de Agosto, na Culturgest, às 19h15.

Ainda na secção Silveste, A Mentira, de Rafael Spínola, uma viagem ao arquivo na procura por detalhes fundadores da Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã, das agências de inteligência mais repressivas que já existiram. E Ink in Milk, de Gernot Wieland, sobre como a existência de um ser baseia-se na teia de acontecimentos, acções e reacções ao longo do tempo. Traumas e celebrações. Noutras palavras, como a tinta cai no leite e mancha tudo demasiado rápido, deixando sempre vestígios. Ambos filmes podem ser vistos no dia 26 de Agosto, na Culturgest, às 19h15.

No quadro colorido de vozes do IndieJúnior, deparamo-nos com um documentário, Beleza, de Christina Willings, sobre cinco crianças que lutam por viver autenticamente com aquilo que sentem ser a sua identidade de género, que integra a sessão Levantar a Voz! do IndieJúnior, para um público mais infanto-juvenil a partir dos 12 anos de idade – para ver no dia 29 de Agosto, no Cinema Ideal, às 11h30 ou no dia 5 de Setembro, no Cinema São Jorge, às 11h30.

No foco Mati Diop, encontramos Snow Canon, da realizadora franco-senegalesa, que se debruça no crescimento de Vanina, uma adolescente francesa – para ver no dia 28 de Agosto, na Culturgest, às 21h45. Nesta travessia pelo desconhecido, encontramos também Aleteia, uma jovem estudante latina, que procura prosseguir os seus estudos universitários em Los Angeles, numa América divisória, em La Leyenda Negra, da portuguesa Patricia Vidal Delgado, na que é a única longa-metragem dos Novíssimos, secção dos jovens cineastas – para ver no dia 29 de Agosto, no Cinema São Jorge ás 15h30 ou dia 31 de Agosto, no Cinema São Jorge às 18h45. Também nos Novíssimos, Club Splendida, um filme de Caio Amado Soares, que define o filme como uma “série web de ficção científica queer-camp”, no qual cinco amigos constroem uma nave e partem em busca de Club Splendida, algures no espaço – para ver no dia 26 de Agosto, no Cinema São Jorge, às 19h.

Em 2050, o mundo está prestes a acabar numa nuvem cor-de-rosa e o filme de Henrique Arruda, Os Últimos Românticos do Mundo, propõe que aconteça em signo de festa, exuberante, arrojado, causando disrupção. A curta-metragem está presente na Competição Internacional – para ver no dia 3 de Setembro, na Culturgest, às 19h15. Também na Competição Internacional, Toomas Beneath the Valley of Wild Wolves, um filme de animação de Chintis Lundgren, sobre como um pai lobo desempregado se torna num gigolô para manter a sua família – para ver no dia 1 de Setembro, na Culturgest, às 19h.

Na secção do IndieMusic, é-nos contada a história de Beverly Glenn-Copeland, o músico negro transexual, pelo próprio. Da solitária década de 60 até à alegria de conseguir testemunhar o presente, o documentário emocionante de Posy Dixon, Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn- Copeland Story, debruça-se no talento do homem que começou a escrever música sobre a experiência queer numa altura em que relações entre o mesmo sexo eram ilegais, as vidas trans eram escondidas e estigmatizadas e o movimento dos Direitos Humanos nos EUA estava prestes a irromper – para ver no dia 1 de Setembro, no Cinema São Jorge, às 19h15.