The Inheritance - Competicao Internacional

Um Mapa do Mundo nas Longas-Metragens da Competição Internacional do IndieLisboa 2021

A Competição Internacional é sempre uma das secções mais aguardadas do festival, ano após ano. E há uma razão clara para tal. Não só é a secção que liga fronteiras, aproxima e dialoga entre culturas como é também a secção que demarca a tonalidade para o tipo de cinema que marcará presença no festival, espalhado depois pelas restantes secções e sessões especiais. No ano em que o IndieLisboa atinge a maioridade, as longas-metragens da Competição Internacional revelam uma multiplicidade de vozes, transversais e conscienciosas, que através de discursos cinemáticos muito variados, servem como pendente para uma das preocupações mais amplas do festival nestes últimos 18 anos de existência: munir-se de armas para destruir os muros que enjaulam o pensamento.

Com parte da programação da Competição Internacional anunciada no início do mês – 32 curtas-metragens -, a secção completa-se agora com 12 longas-metragens que viajam do Kosovo à Georgia, passando pelas montanhas Apalaches e Argentina, e não só trazem para primeiro plano talentos já confirmados, como os de Alice Diop, Rosine Mbakam ou Julian Faraut, como alertam para novas vozes que têm encantado tanto espectadores como críticos pelo mundo, como é o caso de Ephraim Asili, Norika Sefa, Manque la Banca, Emma Seligman ou Alexandre Koberidze. Dentro destes filmes, 6 são documentários e 6 dramas ficcionais, e há 7 mulheres cineastas este ano a encabeçar a secção.

The Last Hillbilly, Diane Sara Bouzgarrou & Thomas Jenkoe
The Last Hillbilly, Diane Sara Bouzgarrou & Thomas Jenkoe

Nos documentários, está The Last Hillbilly, um olhar sobre uma geração de pessoas que habitam as montanhas Apalaches no Kentucky, e que dá abertura a Brian Ritchie, um “hillbilly”, de confirmar os vários estereótipos associados aos que completam a comunidade, mas que também dá asas a um novo retrato das suas pessoas poeticamente cosido no processo. Por falar em pertença, Nous, de Alice Diop será um dos grandes destaques da secção este ano. Um filme-ensaio, que tem como mote a pluralidade do gesto humano, traça retratos isolados que compõem as histórias e as caras da nação francesa assombrada por divisões e fracturas. Um testemunho filmado. Na mesma linha de pensamento, encontra-se Radiograph of a Family, que num acto profundamente íntimo dá a conhecer a vida e casamento dos pais da cineasta Firouzeh Khosrovani, pessoas que não poderiam estar em pólos mais opostos do secularismo e da ideologia islâmica religiosa. Khosrovani fá-lo através do uso de imagens de arquivo, cartas e conversas, radiografando pelo caminho os conflitos no âmago da sociedade iraniana. Outro registo cru é o de Rosine Mbakam, cujo cinema se tem focado na experiência migrante. O IndieLisboa propõe o seu mais recente filme, Les Prières de Delphine, sobre uma jovem camaronesa que carrega uma bagagem de sofrimento e se alia à exploração de Mbakam de temas como o peso e o domínio das sociedades patriarcais sobre as mulheres africanas e a exploração sexual. Entretanto, em Tóquio, nos Jogos Olímpicos de 1964, uma equipa feminina de vólei japonesa vence a medalha de ouro, e Julien Faraut, cineasta extraordinaire de desporto (L’empire de la perfection), relembra o momento histórico setenta anos depois, em Les Sorcières de L’Orient. Para além destes, há também Esquí, filme que marca o regresso de Manque La Banca ao IndieLisboa (depois da sua curta-metragem T.R.A.P. ter sido seleccionada para a secção Silvestre em 2018) e continua a assinalar a homenagem a uma hibridez, um cinema livre de constrangimentos, espelhado nesta sua primeira longa através do retrato de Bariloche, a meca na Patagónia para os amantes do ski.

No campo da ficção, destaca-se The Inheritance, primeira longa-metragem de Ephraim Asili, filme meta-textual, centrado numa comunidade de artistas e activistas negros, na zona oeste de Filadélfia, que junta o marxismo a uma lembrança do movimento de libertação MOVE, bombardeado pela polícia em 1985. Enquanto isso, nos arredores de Madrid, moradores que contruíram as suas casas de raiz são obrigados a realojar-se, em La Última Primavera, primeiro filme da holandesa Isabel Lamberti, que convoca o Neorealismo italiano para explorar a mudança que esta comunidade é obrigada a passar. Há um segundo vislumbrar da natureza selvagem nos Apalaches em A Dim Valley, de Brandon Co

What do We See When We Look at the Sky?, Aleksandre Koberidze

lvin. Parte alegoria queer, parte folclore, é uma versão etérea e moderna de um filme de amor livre dos anos 60 que tem no seu centro um biólogo mal-humorado e os seus assistentes de pós-graduação. Ainda nos Estados Unidos, mas agora numa Brooklyn altamente claustrofóbica durante um shiva, período de uma semana de luto judaico, uma jovem é colocada numa posição ingrata de ter que se defrontar com ela mesma, o seu futuro, a ex-namorada, o sugar daddy e múltiplos parentes bisbilhoteiros. Uma comédia ácida e nauseante, de Emma Seligman, Shiva Baby, que faz desta secção uma a não perder. Por falar em claustrofobia, Looking for Venera leva-nos até uma pequena vila no Kosovo com três gerações a habitarem a mesma casa. Nela, vive também Venera, uma adolescente sem espaço para crescer e explorar quem pode vir a ser. Um primeiro filme sensível de Norika Sefa, é um filme observacional que infere a importância de alimentar a fome pela liberdade pessoal. Nesta linha de filmes calmos e resplandecentes, está What Do We See When We Look At The Sky?, filme-pérola de Aleksandre Koberidze, cuja câmara traz poesia aos gestos mais quotidianos, numa ode ao amor, ao futebol e ao cinema. Em jeito de conto popular moderno, centra-se num meet-cute clássico, e um amor amaldiçoado, e é outro dos grandes destaques da programação deste ano, no meio de filmes que viajam por um mapa do mundo, e nos entram na pele antes de nos apercebermos de que estão em nós.

 

PROGRAMAÇÃO

  • A Dim Valley, Brandon Colvin, fic., EUA, 2020, 92’
  • Looking for Venera, Norika Sefa, fic., Kosovo/Macedónia do Norte, 2021, 111’
  • The Last Hillbilly, Diane Sara Bouzgarrou/Thomas Jenkoe, doc., França/Catar, 2020, 80’
  • Shiva Baby, Emma Seligman, fic., EUA, 2020, 77’
  • What Do We See When We Look at the Sky?, Aleksandre Koberidze, fic., Geórgia/Alemanha, 2021, 150’
  • Esquí, Manque La Banca, doc./fic., Argentina/Brasil, 2021, 74’
  • The Inheritance, Ephraim Asili, doc./fic., EUA, 2020, 101’
  • Nous, Alice Diop, doc., França, 2021, 115’
  • La Última Primavera, Isabel Lamberti, fic., Espanha/Países Baixos, 2020, 77’
  • Radiograph of a Family, Firouzeh Khosrovani, doc., Irão/Noruega/Suiça, 2020, 80’
  • Les sorcières de l’Orient, Julien Faraut, doc., França, 2021, 100’
  • Les prières de Delphine, Rosine Mbakam, doc., Bélgica/Camarões, 2021, 91’
Bom Dia Mundo! de Anne-Lise Koehler e Éric Serre

IndieJúnior 2021: Vem-te deslumbrar por um mundo de ideias projectado no grande ecrã

O IndieJúnior está de volta para mais um ano de aventuras cinemáticas para miúdos e graúdos. Para além do habitual programa de curtas-metragens, haverá muitas oficinas e actividades paralelas a decorrer, e um Dia da Família que é, como o nome indica, mesmo para todos.

No habitual caleidoscópio de emoções, a programação deste ano olha para o cinema enquanto poço de criação. O fazer, criar e pensar espelhado nas imagens projectadas no ecrã. De menções à batalha que é o teletrabalho para pais com crianças (Contos do Multiverso), a conversas sobre inclusão social e questões de género (Os Sapatos do Louis e RaparigasRapazesmix), passando por uma mensagem ecológica e conscienciosa sobre o ambiente que nos rodeia (Orgiástico Hiper-Plástico e Bom Dia Mundo!) e a importância de dar asas à imaginação nos dias que correm (Olá Senhor), são mais de 40 filmes que se aliam a um carácter educativo, mas divertido.

Contos do Multiverso – IndieJúnior

Um dos principais destaques deste ano é o Dia da Família, que decorrerá no próximo dia 4 de Setembro, e que começará por mostrar uma sessão especial de curtas-metragens (+3 anos) –  Laços de Família – com locução ao vivo do actor, escritor e humorista Pedro Cardoso, na Culturgest. Dentro desta, salienta-se uma versão da Terra que não saiu como esperado, como muitos pais em teletrabalho bem o têm dito nos últimos tempos. Na curta-metragem Contos do Multiverso, Deus defronta-se com esta problemática. A projecção de filmes será seguida pela Festa ao Ar Livre, no jardim da Biblioteca Palácio Galveias, que contará não só com um concerto ao vivo de Gui Calegari, músico e artista do colectivo Baileia, mas também com uma oficina de expressão plástica Sem Limites (3-8 anos), em parceria com a editora Orfeu Negro e jogos inspirados na programação. Todas as actividades relativas à Festa são gratuitas – inscrição prévia obrigatória para a oficina aqui. Para acabar o dia, haverá uma sessão ao ar livre da longa-metragem Bom Dia Mundo! (+6 anos), ainda no jardim da Biblioteca Palácio Galveias, um delicado filme feito com figuras de papel de jornal animadas em stop motion e esculturas feitas à mão em cenários pintados com toda a atenção ao detalhe, contado através do olhar de dez animais que, juntos, iluminam as maravilhas da natureza.

Bom Dia Mundo!  foi a principal inspiração para uma oficina de madeiras Nasci, e Agora…?, que acontecerá no dia 5 de Setembro no pátio da Biblioteca Palácio Galveias e que se foca nos seus participantes enquanto construtores do mundo. Partindo de madeiras e pequenos objectos recolhidos directamente da natureza, as crianças poderão contemplar a biodiversidade apresentada no filme e completar as suas criações com técnicas de acabamento de madeira e aplicação de cera ou óleo de origem natural.

Mas a atenção deste ano prende-se na novidade que é o Cinema de Colo, a muito sonhada parte da edição deste ano que se concretiza numa sala de cinema pequena e segura, com uma cenografia feita especialmente para pais e bebés. Desenhado para crianças dos 4 meses aos 2 anos e meio, o cinema de colo é assim denominado por duas razões. A mais óbvia remete para o lugar a partir do qual um bebé começa a conhecer o mundo em seu redor. A outra contextualiza a criação de uma cenografia, dentro de uma sala mas inspirada no ar livre, onde a criança pode reagir e mover-se em segurança num replicar do colo aconchegado de um pai durante uma noite estrelada. Durante estas sessões, passarão cinco pequenos filmes, histórias cheias de cores e sons estimulantes, com projecções surpreendentes que focam o poder conjunto do som e da luz.

Nos filmes em competição este ano para os mais pequenos – sessões Sonhar Acordado (+3 anos) e A Vida é uma Surpresa (+6 anos) -, sublinham-se filmes apuradores do potencial criativo que a programação procura dar ênfase, simples mas sábios. Por um lado, filmes que olham para o amor enquanto uma chama inapagável, como em No Fim do Amor! (+3 anos) e Bombeiro (+6 anos). Por outro, o estímulo do performativo, dos filmes que nos trocam as voltas e surpreendem, como em Cães Zangados (+3 anos) e Sete Cabritinhos (+6 anos).

Julho 96 – IndieJúnior

Repetindo o que tem vindo a acontecer todos os anos, a iniciativa Eu Programo um Festival de Cinema, a actividade educativa que dá oportunidade a alunos do 2º e 3º ciclos para programar cinema para crianças da sua faixa etária, revela-nos filmes fundamentais, que abordam temáticas socialmente relevantes. Com a Escola Básica e Secundária Josefa de Óbidos (sessão O Lugar das Memórias, +10 anos) e a EB 2/3 Almeida Garrett (sessão Pensar, Sonhar e Voar, +12 anos), ficamos a conhecer filmes que todos nós devíamos ver. A começar pela história de Louis, uma criança autista, que acaba de chegar a uma nova escola, onde pode finalmente compartilhar a sua visão das coisas em Os Sapatos do Louis (+10 anos). Não tanto sobre a sua condição neuro-atípica, mas mais sobre a tendência que a sociedade tem em catalogar as nossas identidades, este pequeno e brilhante filme denota um entendimento iluminado sobre o ser humano – “moldes são bons mas só para fazer waffles”. Na mesma linha de pensamento encontra-se RaparigasRapazesmix (+10 anos), um relato de Wen Long sobre a sua história enquanto criança intersexo, Julho 96 (+12 anos), um filme que se centra numa altura determinante na vida de duas raparigas, nesta que é uma história de férias de Verão, e nos fala do fim enquanto crianças e a preparação para um início impossível de prever, e Daqui à Lua (+12 anos), que contempla a morte e a maneira como lidamos ou não com ela.

De sublinhar, Os Sapatos do Louis será o ponto de partida para o debate “Autismo: o caminho para a inclusão na escola e na comunidade”, que se perguntará sobre como identificar o autismo, mas também como abordar a questão da diferença. Não somos afinal todos diferentes? Um filme-debate para todos os pais, filhos e professores, que acontecerá no dia 2 de Setembro na Biblioteca Palácio Galveias (entrada livre, limitada à lotação da sala – inscrição prévia obrigatória aqui).

Para além destas actividades, o IndieJúnior propõe ainda uma oficina de flipbooks, Quero Animar! (+7 anos), concebida e dinamizada pela realizadora Leonor Faria Henriques, que tem o seu filme Nada a Perder (+6 anos) na programação, sobre como enfrentar a perda e descobrir como superá-la. A oficina acontecerá no dia 21 de Agosto no pátio da Biblioteca Palácio Galveias, e será um dos momentos mais divertidos do festival, onde os miúdos poderão dar os primeiros passos no mundo mágico da animação 2D num pequeno flipbook, com a ajuda de papel e lápis de cor. E uma oficina de expressão corporal Ver o Mundo com as Mãos (+5 anos), concebida pela dupla de artistas-educadores Baileia, inspirada no filme Olá Senhor, que brinca com as perspectivas. Tal como o filme, vê as coisas com outros olhos, toca em árvores muito altas ou carrega um amigo sem sair do lugar.

> Programa completo aqui

Mais actualizações em www.indielisboa.com/indiejunior

Acreditações para o IndieLisboa 2021 disponíveis para estudantes e indústria

INSCRIÇÃO

Estão abertos os pedidos de acreditação para o IndieLisboa – 18.º Festival Internacional de Cinema, que decorre de 21 de Agosto a 6 de Setembro de 2021. A acreditação é pessoal, intransmissível e garante acesso a todas as sessões do festival (sujeito a disponibilidade de lugares, excepto cerimónia de abertura e algumas sessões especiais).

A totalidade da programação de indústria será anunciada brevemente. 

Poderá enviar o seu pedido de acordo com as seguintes categorias:

  • Indústria – Profissionais de cinema, realizadores, produtores, equipas, festivais de cinema, distribuidores, exibidores sem filme no festival;
  • Estudante – Dirigida exclusivamente a estudantes/professores de cinema/audiovisual ou cursos relacionados com imagem e som.

Preços:

Indústria
45€ (Early Bird). Pedidos enviados até 31 de Julho
55€ Pedidos enviados entre 1 de Agosto e 20 de Agosto
70€ Pedidos enviados a partir de 21 de Agosto

Estudante
25€ (Early Bird). Pedidos enviados até 31 de Julho
35€ Pedidos enviados entre 1 de Agosto e 20 de Agosto
50€ Pedidos enviados a partir de 21 de Agosto

Os pedidos de acreditação deverão ser feitos aqui. 

ATENÇÃO:
– A emissão de acreditações é da responsabilidade do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema e o envio de um pedido não garante a acreditação.

 

 

Hopper/Welles - Director's Cut

De Hopper a Welles, passando pela Boca do Inferno: os eternos no IndieLisboa 2021

A secção Director’s Cut, dedicada a filmes sobre o cinema, volta este ano com tesouros há pouco recuperados (Hopper/Welles, Três Dias Sem Deus e The Last Stage) e filmes que agora retrabalham o património cinematográfico. Já na secção Boca do Inferno, são programados filmes desconcertantes que rasgam fronteiras de registo e temas, sem tabus. O IndieLisboa regressa às salas habituais de 21 de Agosto a 6 de Setembro de 2021.

Em grande destaque na secção Director’s Cut encontra-se Hopper/Welles, de Orson Welles, estreado na edição do ano passado do Festival de Veneza, a sua primeira exibição pública depois de 40 anos guardado. Filmada em 1970, esta conversa apanha os realizadores em momentos cruciais das suas carreiras; Welles não trabalhava em Hollywood há mais de uma década, e tinha começado a confirmar-se como um artista ferozmente independente e idiossincrático, já Hopper, acabava de alcançar sucesso inesperado com o hit de contracultura Easy Rider, financiado por um estúdio. Em preto e branco, e iluminado apenas pela lareira e lâmpadas de furacão, este é um registo histórico entre duas figuras magistrais do cinema americano, que aqui conversam sobre cinema, a arte e a vida.

Outra surpresa é Três Dias Sem Deus, a primeira longa-metragem de ficção realizada por uma mulher em Portugal. Bárbara Virgínia, que tinha à data 22 anos, realizou o filme, foi co-responsável pelo argumento e interpretou o papel principal. O filme estreou a 30 de agosto de 1946, no Cinema Ginásio em Lisboa, e viria a integrar a comitiva portuguesa na segunda edição do festival de Cannes, nesse mesmo ano. Aquando da sua primeira projeção, o filme teria cerca de 102 minutos (aproximadamente 2800 metros de película). Desses, foram preservados, apenas, 26 minutos (868 metros) de filme, dos quais se perdeu a banda-sonora. O resultado de uma digitalização e restauro digital desse fragmento é agora apresentado no IndieLisboa, no dia em que se comemoram 75 anos da estreia. Três Dias Sem Deus está integrado na secção Director’s Cut Em Contexto, programada em conjunto com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. A anteceder será exibido também o filme Lost and Found de Clara Cúllen, um documentário sobre a avó da realizadora, a primeira mulher argentina cineasta, contemporânea de Bárbara Virgínia.

Destacam-se também outros dois filmes portugueses, A Távola de Rocha, de Samuel Barbosa, uma exploração do processo criativo de Paulo Rocha, que é exibido no IndieLisboa após a sua estreia no Festival de Locarno em Agosto; e Diálogo de Sombras, de Júlio Alves, em estreia mundial, sobre o universo de Pedro Costa a partir da sua exposição em Serralves, Pedro Costa: Companhia, que estabeleceu um diálogo entre o realizador português e as figuras que povoam o seu imaginário.

The Last Stage, de Wanda Jakubowska, é uma das primeiras representações da vida em campos de concentração, filmado logo após a 2ª Guerra Mundial e agora apresentado num restauro digital. Jakubowska esteve ela própria presa no campo de concentração que filmou, ainda antes do seu desmantelamento, filmagens às quais junta uma narração ficcional do que ali viu e experienciou. Um filme que dialoga com À Pas Aveugles de Christophe Cognet, seleccionado na secção Silvestre.

There Are Not Thirty-six Ways of Showing a Man Getting on a Horse, de Nicolás Zukerfeld, é um filme divertido que parte de uma investigação à citação atribuída a Raoul Walsh, e consecutiva tentativa de a ilustrar. Da compilação de personagens a cavalgar em filmes de Walsh nasce um filme-ensaio.

Na secção Boca do Inferno rasgam-se fronteiras de registo e temas. Entre as longas-metragens, um clássico do terror italiano que celebra 50 anos; Ecologia del delitto, de Mario Bava, conta a história do falecimento de uma condessa rica, que desencadeia uma guerra pela sua herança e uma sequência de mortes que parece não cessar.

She Dies Tomorrow de Amy Seimetz junta o horror psicológico ao humor absurdo. Neste filme, Amy é uma rapariga que acaba de comprar uma casa, mas está plenamente convencida que vai morrer no dia seguinte. Uma ideia que se torna contagiosa à sua volta.

Em Spree, de Eugene Kotlyarenko, Joe Keery (o simpático rapaz da popular série Stranger Things) é Kurt Kunkle, um condutor obcecado com a ideia de que se não te estás a documentar não existes. Contado na primeira pessoa, é um híbrido entre a comédia e o horror, com uma mensagem de cautela em relação às redes sociais.

Das curtas-metragens da secção, em Rendang of Death, de Percolate Galactic, dois amigos lutam pelo último pedaço do melhor rendang de sempre. T’es morte Hélène, de Michiel Blanchart, acompanha Hèlene, que incapaz de se desapegar do amor que ainda a une ao namorado, continua a assombrá-lo depois de morta. E ainda MeTube3: August sings „Una furtiva lagrima“, de Daniel Moshel, o terceiro capítulo de uma série de curtas marcadas pelo humor e pelo amor à ópera.

A partir de hoje, estão também abertas as acreditações para estudantes e profissionais, que podem ser adquiridas a preço especial aqui.

PROGRAMAÇÃO

DIRECTOR’S CUT

  • O Amor Dentro da Câmera, Jamille Fortunado/Lara Beck Belov, doc., Brasil, 2021, 85’
  • Diálogo de Sombras, Júlio Alves, doc./exp., Portugal, 2021, 60’
  • Edge of Doom, Michaela Grill, doc./exp., Áustria, 2020, 3’
  • Fitas Cirúrgykas, Edgar Pêra, exp./fic., Portugal, 2021, 10’
  • Forensickness, Chloé Galibert-Laîné, doc., França/Alemanha, 2020, 40’
  • Hopper/Welles, Orson Welles, doc., EUA/Polónia, 2020, 130’
  • The Last Stage, Wanda Jakubowska, fic., Polónia, 1948, 109’
  • Lo que no se ve ni se oye, Clara Cullen, doc., Argentina, 2020, 35’
  • Lotte Eisner. Un lieu, nulle part, Timon Koulmasis, doc., França/Alemanha, 2021, 60’
  • No existen treinta y seis maneras de mostrar cómo un hombre se sube a un caballo, doc./exp., Argentina, 2020, 63’
  • Patent Nr. 314805, Mika Taanila, doc./exp., Finlândia, 2020, 2’
  • A Távola de Rocha, Samuel Barbosa, doc., Portugal/Japão, 2021, 94’
  • Thinner Than Two Ten-thousandths of a Millimetre, Gregor Eldarb, exp., Áustria, 2020, 8’
  • Watching the Detectives, Chris Kennedy doc./exp., Canadá, 2017, 36’

Director’s Cut Em Contexto

  • O Sangue, Pedro Costa, fic., Portugal, 1989, 95’
  • Silver River, Raoul Walsh, fic., EUA, 1948, 110’
  • Tabu: A Story of the South Seas, F.W. Murnau, fic., EUA, 1931, 81’
  • Três Dias Sem Deus, Bárbara Vírgina, fic., Portugal, 1946, 25’
  • Os Verdes Anos, Paulo Rocha, fic., Portugal, 1963, 91’

BOCA DO INFERNO

  • Bobby Pinwheel, Rob Kleinschmidt, Anim., EUA, 2020, 4’
  • Ecologia del delitto, Mario Bava, fic., Itália, 1971, 87’
  • Flex, Josefin Malmen, David Strindberg, Fic., Suécia, 2020, 4’
  • Flick, Ariel Zengotita, Fic., EUA, 2019, 10’
  • Kindred, Joe Marcantonio, fic., Reino Unido, 2020, 100’
  • MeTube3: August sings „Una furtiva lagrima“, Daniel Moshel, Fic., Áustria, 2020, 10’
  • Mosquito State, Filip Jan Rymsza, fic., EUA/ Polônia, 2020, 100’
  • Rendang of Death, Percolate Galactic, Anim., Indonésia, 2020, 7’
  • She Dies Tomorrow, Amy Seimetz, fic., EUA, 2020, 86’
  • Spree, Eugene Kotlyarenko, fic., EUA, 2020, 93’
  • A Stranger from the Past, Jan Verdijk, Fic., Países Baixos, 2020, 5’
  • Survivers, Carlos Gómez-Trigo, Fic., Espanha, 2020, 7’
  • The Thing That Ate the Birds, Sophie Mair, Dan Gitsham, Fic., Reino Unido, 2021, 12’
  • Thirst, Steinþór Hróar Steinþórsson, Gaukur Úlfarsson, fic., Islândia, 2019, 90’
  • T’es morte Hélène, Blanchart Michiel, Fic., Bélgica, 2020, 24’
  • Wood Child and Hidden Forest Mother, Stephen Irwin, Anim., Reino Unido, 2020,10’
  • 50 (o dos ballenas se encuentran en la playa), Jorge Cuchí, fic., México, 2020, 122’
Early Bird Voucher

Venda Exclusiva de Cadernetas Early Bird

As cadernetas Early Bird estão de regresso!

A partir de hoje e até 4 de Agosto estão disponíveis, em toda a rede Ticketline, 100 cadernetas de 10 bilhetes-voucher a preços especiais.

Depois da compra online, os vouchers poderão ser levantados e trocados nas Bilheteiras Centrais do IndieLisboa, situadas na Culturgest e no Cinema São Jorge.

Mais informações aqui.

Curtas Competição Internacional e Silvestre: Ovos de Páscoa, Utopias, Rosas Azuis e Bruxas no IndieLisboa 2021

Com parte da programação já anunciada, desvendamos agora a programação de curtas-metragens das secções Competição Internacional e Silvestre. A competição internacional de curtas-metragens será composta em 2021 por 32 títulos nunca antes mostrados em Portugal, revelando um enorme conjunto de cineastas emergentes e de futuro.

Num ano marcado pela distância, os telefonemas pontuam Ella i Jo, o primeiro filme seleccionado desta edição e que deu o mote à competição. Mãe e filha, ambas artistas, pintam nos seus espaços – uma em Barcelona, outra em Atenas. As tentativas de chamada são o fio condutor que vem ritmar os momentos quotidianos e de criação, filmados pelo catalão Jaume Claret Muxart.

O cinema de animação tem sido um dos pontos fortes da competição internacional de curtas-metragens ao longo dos últimos 18 anos. Nesta edição, destacam-se Easter Eggs, de Nicolas Keppens, em competição no último festival de Berlim, onde um desentendimento entre dois amigos gera um confronto que mistura ternura e violência. Mofo Relay, de Taewan Kim e Shunny Kim, que nos leva em dois minutos de trip sideral, com alienígenas de origens enigmáticas que se divertem em conjunto. E ainda Poum Poum! de Damien Tran, um musical de animação que celebra a harmonia entre cores, texturas e sons.

Nos documentários destacam-se o russo Blue Rose, de Olya Korsun, ensaio visual que explora o conceito de flor, reflectindo sobre a sua beleza, história e comoditização, e My Nightingtale with Tears, de Cécile Lapergue, sobre a soprano francesa Denise Duval, conhecida sobretudo pelas suas interpretações de óperas de Francis Poulenc.

No território da ficção, The Shift de Laura Carreira, premiado no último festival de Veneza, reflecte sobre o trabalho e a precariedade através de uma visita de Anna ao supermercado. E Heliconia, primeiro filme de Paula Rodríguez Polanco, estreado no FID Marseille, que constitui uma sinfonia sinestésica marcada por texturas, cores, calor e corpos, onde Maria, uma rapariga de catorze anos, parte em busca do paraíso na Terra.

Destaque ainda para The Pleasants Effect, o filme da vida de Pete Levine. Começado em 1973 e terminado em 2020, esta primeira obra de um realizador de 70 anos conta a história de C.R. Pleasants, um inventor amador que dizia ser capaz de dispersar o nevoeiro que, nos anos 30 e 40, afligia os pilotos de aviões. Em estreia mundial, Transportation Procedures For Lovers da jovem realizadora Helena Estrela é uma experiência que reflete sobre o melhor método de chegar mais perto de quem se ama.

Na secção Silvestre, dedicada a cineastas mais experientes no campo da curta-metragem, emergem 18 filmes, muito diferentes entre si e que transpiram o brilhantismo da produção contemporânea.

Destaque natural para Which is Witch? de Marie Losier, presença assídua no festival desde a sua vitória em 2011 com The Ballad of Genesis and Lady Jaye. Mais uma vez, a exuberância de Losier dá a voz à loucura de universos paralelos e há Bertrand Mandico a pairar.

No campo da animação a histórica cineasta Joanna Quinn, nomeada para o Oscar por diversas vezes pelos seus filmes anteriores e uma das mais aclamadas animadoras a nível mundial traz Affairs of the Art. Estreado em 2021, divertido e polémico, é mais uma vez a confirmação do seu estatuto.

Destaque para as entradas norte-americanas da competição: três filmes inusitados, estranhos e surpreendentes. Black Square, de Peter Burr, é um quadrado preto no centro do ecrã onde se contorcem figuras humanas, uma sucessão de imagens em constante assalto visual e sonoro. Em The Canyon, Zachary Epcar filma exteriores de casas, objectos e pessoas de forma hipnotizante, convidando a uma viagem guiada por música que vai do inquietante ao sublime. Os dois realizadores regressam ao festival depois de passagens em 2017 e 2019. Finalmente, In The Air Tonight, de Andrew Norman Wilson, transforma a experiência da canção homónima de Phil Collins reimaginando-a com uma narração onírica.

O júri da Competição Internacional de Curtas-Metragens será composto por Bianca Lucas, cineasta e programadora no Festival de Cinema de Sarajevo, Réka Bucsi, vencedora do Grande Prémio de Curta-Metragem em 2018 no IndieLisboa com o filme Solar Walk, e Mariana Gaivão, realizadora do multi-premiado Ruby.

E para o júri da secção Silvestre conta-se com Daniel Ebner, co-fundador e director artístico do Vienna Shorts, Rita Cruchinho Neves, fundadora do atelier MODO, e Maíra Zenun, coordenadora e curadora de ciclos de cinema como a Mostra Internacional de Cinema na Cova – África e as suas diásporas.

Dia 6 de Julho arranca a venda exclusiva de 100 cadernetas Early Bird de 10 bilhetes, que podem ser adquiridas na rede Ticketline por 25€ (nos balcões e em ticketline.pt).

A programação das restantes secções, incluindo as longas-metragens da Competição Internacional, será anunciada brevemente. Actualizações em indielisboa.com.

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PROGRAMAÇÃO

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL – CURTAS-METRAGENS

  • À la recherche d’Aline, Rokhaya Marieme Balde, doc., Suíça / Senegal, 2020, 27’
  • Bambirak, Zamarin Wahdat, fic., Alemanha / EUA, 2020, 14’
  • Blue Rose, Olya Korsun, doc., Rússia, 2020, 53’
  • C, Marion Täschler, anim., Suíça, 2020, 5’
  • Come Here, Marieke Elzerman, fic., Bélgica, 2020, 26’
  • Depuis la nuit des temps, Clary Demangeon / Jeanne Delafosse, doc., França, 2020, 14’’
  • La disparition de Tom R., Paul Sirague, doc., Bélgica, 2020, 19’
  • Easter Eggs, Nicolas Keppens, anim., Bélgica / França / Países Baixos, 2020, 14’
  • Ella i jo, Jaume Claret Muxart, doc., Espanha, 2020, 20’
  • Friend of a Friend, Zachary Zezima, anim., França, 2020, 14’
  • Heliconia, Paula Rodríguez Polanco, fic., França / Colômbia, 2020, 26’
  • Keep Shiftin’, Verena Wagner, doc., Alemanha, 2020, 21’
  • The Last Day, Lauri-Matti Parppei, fic., Finlândia, 2020, 16’
  • Letter From Your Far-Off Country, Suneil Sanzgiri, doc./exp., EUA / Índia, 2020, 17’
  • Lonely Blue Night, Johnson Cheng, fic., EUA, 2020, 15’
  • Mofo Relay, Taewan Kim / Shunny Kim, anim., Reino Unido, 2021, 2’
  • My Nightingtale with Tears, Cécile Lapergue, doc., França, 2020, 23’
  • Noite de Seresta, Muniz Filho / Sávio Fernandes , doc., Brasil, 2020, 19’
  • Nuits sans sommeil, Jérémy van der Haegen, fic., Bélgica / França, 2020, 30’
  • One Thousand and One Attempts to Be an Ocean, Wang Yuyan, doc./exp., França, 2021, 12’
  • Places, Vytautas Katkus, fic., Lituânia, 2020, 12’
  • The Pleasants Effect, Pete Levine, doc./exp., EUA, 2020, 36’
  • Poum Poum!, Damien Tran, anim., França, 2021, 6’
  • Push This Button if You Begin to Panic, Gabriel Böhmer, anim., Reino Unido / Suíça, 2020, 13’
  • Retour à Toyama, Atsushi Hirai, fic., França, 2020, 25’
  • The Shift, Laura Carreira, fic., Reino Unido / Portugal, 2020, 9’
  • Thank You, Julian Gallese, anim., Reino Unido, 2020, 8’
  • Tracing Utopia, Catarina de Sousa / Nick Tyson, doc., EUA/Portugal, 2021, 27’
  • Transportation Procedures For Lovers, Helena Estrela, doc./exp., Portugal, 2021, 9’
  • Washing Machine, Alexandra Májová, anim., República Checa, 2020, 5’
  • Y’a pas d’heure pour les femmes, Sarra El Abed, doc., Canadá, 2020, 19’
  • Ya no duermo, Marina Palacio, doc., Espanha, 2020, 22

SILVESTRE CURTAS

  • Affairs of the Art, Joanna Quinn, anim., Reino Unido, 2021, 16’
  • All of your Stars are but Dust on my Shoes, Haig Aivazian, doc., Líbano, 2021, 18’
  • Are You Still There, Rayka Zehtabchi / Sam Davis, fic., EUA, 2021, 15’
  • Belgrade Forest Incident …and What Happened to Mr.K?, Jan Ijäs, doc./exp., Finlândia / Turquia, 2020, 30’
  • Bicho Azul, Rafael Spínola, doc., Brasil, 2020, 6’
  • Black Square, Peter Burr, anim./exp., EUA, 2020, 6’
  • The Canyon, Zachary Epcar, exp., EUA, 2021, 16’
  • Fuel, Yu Araki, doc., Japão, 2019, 17’
  • Happy Valley, Simon Liu, doc./exp., Hong Kong, 2020, 12’
  • In the Air Tonight, Andrew Norman Wilson, exp., EUA, 2020, 11’
  • Motorcyclist’s Happiness Won’t Fit into his Suit, Gabriel Herrera, fic., México, 2021, 10’
  • One Image, Two Acts, Sanaz Sohrabi, doc./exp., Canadá / Alemanha / EUA / Irão, 2020, 45’
  • An Ordinary Country, Tomasz Wolski, doc., Polónia, 2020, 51’
  • Palma, Alexe Poukine, fic., França / Bélgica, 2020, 40’
  • Revelaciones, Juan Soto Taborda, doc./exp., Colômbia / Reino Unido, 2020, 29’
  • Vadim on a Walk, Sasha Svirsky, anim., Rússia, 2021, 8’
  • What Time Is, Niina Suominen, anim./exp., Finlândia, 2020, 7’
  • Which Is Witch?, Marie Losier, fic., França, 2020, 6’