IndieMusic 2020: Billie Holiday, The Rolling Stones, Charles Aznavour e muito mais

A programação do IndieMusic, secção do IndieLisboa que faz a ligação entre cinema e música, percorre este ano quase todas as décadas desde os anos 30 até aos dias de hoje, com uma paragem especial nos anos 60 e 70.

Foi em 1969 que decorreu o infame concerto de Altamont, no final da digressão americana dos The Rolling Stones, marcado pela morte de uma fã às mãos dos Hell’s Angels que faziam a segurança do concerto. Gimme Shelter é o filme desses acontecimentos, por muitos considerado o melhor filme de rock de todos os tempos, exibido na comemoração do seu 50º aniversário.

Durante estas décadas Charles Aznavour, o homem dos standards, gravava alguns dos seus maiores êxitos e registava na primeira pessoa diários filmados das suas viagens, concertos e amigos que podemos ver em Aznavour by Charles. A década de 70 ficou ainda marcada pelo surgimento do movimento anti racista Rock Against Racism, movimento central do punk rock britânico, que englobava bandas como os The Clash ou os Sham 69, e que encontra ecos nos tempos que correm, como podemos confirmar em White Riot e registada nas fotografias de Jim Marshall, histórico fotógrafo que capturou momentos memoráveis que todos já vimos pelo menos uma vez, de Johnny Cash na prisão ao último concerto dos Beatles – Show Me the Picture: The Story of Jim Marshall.

O IndieMusic de 2020 passa ainda pela vida do baterista Klaus Dinger, fundador dos NEU! e músico dos Kraftwerk (The Hearth is a Drum),  a história de vida da lenda Billie Holiday, uma das maiores vozes de todos os tempos, aqui com imagens de arquivo e entrevistas nunca antes vistas (Billie), pela descoberta de Glenn-Copeland, uma artista singular que aos 74 anos faz a sua primeira digressão, depois do seu obscuro álbum de folk electrónica Keyboard Fantasies ser reeditado por um coleccionador japonês de raridades (Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn-Copeland Story) e pela história da música electrónica brasileira até aos dias de hoje, mas com a figura central de Jocy de Oliveira, pioneira da música electrónica brasileira (Eletronica:Mentes).

De Portugal chegam os documentários Caos e Afinidade, retrato da música improvisada portuguesa, com especial foco em Lisboa e epicentro no extinto bar Irreal, com nomes como Gabriel Ferrandini, Adriana Sá ou Lantana, e SOA em que se fala de ambientes sonoros, de silêncio e de ruído, de todos os espectros sonoros, do infra ao ultra-som, de frequências e de ritmo, antecedido pela curta metragem Making a Diagonal With Music, sobre a compositora de música electroacústica Beatriz Ferreyra.

O júri da secção competitiva IndieMusic vai atribuir um prémio de 1000€ ao melhor filme da secção e é composto pelos músicos Jorge Ferraz (Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre! e Ezra Pound) e Cláudia Guerreiro (Linda Martini), além do radialista e programador Ricardo Mariano.

Esta é a lista dos filmes confirmados até ao momento:

Competition

Aznavour by Charles, Marc de Domenico

Billie, James Erskine

Caos e Afinidade, Pedro Gonçalves

Eletronica:Mentes, Dácio Pinheiro, Denis Giacobellis, Paulo Beto

The Heart is a Drum, Jacob Frössén

Keyboard Fantasies: The Beverly Glenn-Copeland Story, Posy Dixon

Making a Diagonal with Music, Aura Satz

Show Me the Picture: The Story of Jim Marshall, Alfred George Bailey

SOA, Raquel Castro

White Riot, Rubika Shah

Special Session — 50th Anniversary

Gimme Shelter, Albert Maysles, David Maysles, Charlotte Zwerin

Candidaturas ao Fundo de Apoio ao Cinema 2020 estão abertas (até 13 de Março)

Estão abertas as candidaturas à já sexta edição do Fundo de Apoio ao Cinema, um instrumento complementar de apoio à pós-produção de filmes portugueses criado em 2011. A edição de 2020 é constituída pelos habituais parceiros: IndieLisboa – Associação Cultural, Digital Mix Música e Imagem, Fundação GDA, The Yellow Color e Portugal Film – Agência Internacional de Cinema Português.

Podem candidatar-se curtas ou longas metragens, independentemente do género (animação, documentário, experimental, ficção) em fase de início da pós-produção, da autoria de realizadores portugueses (ou de estrangeiros com residência permanente em Portugal) e com (co-)produção portuguesa.

Os prémios a atribuir desdobram-se da seguinte forma:

a) Digital Mix Música e Imagem: serviços de pós-produção de som para uma longa metragem e uma curta metragem;
b) Fundação GDA: €6.000 para criação de música original, premiando uma longa metragem (€4.000) e uma curta metragem (€2.000), ou em alternativa três curtas metragens (cada uma €2.000);
c) The Yellow Color: dois dias de estúdio em pós-produção de imagem para uma curta metragem, sendo o pagamento do(s) técnico(s) feito à parte.

Durante o prazo de inscrições mais prémios poderão ser adicionados. Nesse caso os projectos já inscritos serão contactados individualmente para eventual adenda ao pedido de apoio.

O prazo termina a 13 de Março e os projectos seleccionados serão comunicados aos próprios a 3 de Abril.

Os 8 projectos seleccionados apresentar-se-ão posteriormente perante um júri internacional, no decorrer do festival IndieLisboa (30 Abril – 10 Maio), no âmbito do qual são também visionados numa sessão das Lisbon Screenings os excertos dos filmes.

Para mais informações e formulário de candidatura ver aqui.

Imagem: “Raposa”, de Leonor Noivo.

Vem aí a 17.ª edição do IndieLisboa

A 17.ª edição do IndieLisboa aproxima-se e promete muitas novidades. O festival internacional de cinema regressa com uma imagem renovada, de 30 de Abril a 10 de Maio de 2020, às salas do Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal.

A par da programação principal, o IndieJúnior oferece um programa diverso ao público infanto-juvenil: as crianças, famílias e professores. Já as LisbonTalks trazem mais novidades para os profissionais, estudantes e amantes de cinema, através de talks, masterclasses e debates que contam com a participação de convidados especiais. Por fim, o IndieByNight está de regresso para garantir a diversão noturna e diária do festival, com um conjunto de concertos e festas.

A imagem desta edição foi criada pelo estúdio de design gráfico Phyphene, com sede no Porto, a partir da missão do festival de procurar e exibir obras essencialmente fora do radar da regular circulação de filmes. Veja aqui os quatro cartazes desta edição:

Para assinalar a nova edição, a Culturgest vai receber uma performance produzida em parceria com o IndieLisboa, no dia 2 de Abril, às 21h00. Neste mesmo dia, a programação completa da edição 2020 do festival será anunciada à imprensa e ao público geral.

Sobre a performance:

Maiko Jinushi com Adriana Sá – Sound of Desires
Grande Auditório da Culturgest
2 abril, 21:00, 7€ (preço único). Bilhetes já à venda na Ticketline.

A performance Sound of Desires foi criada em 2017 para a bienal Live de Vancouver e resultou numa instalação vídeo que regista o encontro entre Maiko Jinushi e um músico.

Em Lisboa, será recriada uma versão híbrida entre o espetáculo e o documentário ao vivo desta obra, aqui, com a participação de Adriana Sá – música, compositora e artista transdisciplinar que também investiga a prática criativa através das ciências da perceção. Maiko Jinushi vai mergulhar no trabalho artístico e nas reflexões pessoais de Adriana Sá para elaborar a dramaturgia da conversa que permanecerá desconhecida da artista portuguesa, até ao momento desta performance.
Maiko Jinushi vai mostrar-nos como uma simples conversa pode mudar a música de um improvisador, como uma interpretação pode ir mudando à medida que falam intimamente de desejos, transformando as suas câmaras em poderosos microscópios emocionais que capturam a genética da produção artística. Mais informação aqui.

A última edição do festival, em 2019, contou com mais de 270 filmes e 42.000 pessoas que passaram pelas sessões e actividades do festival.