De cortina fechada, no quarto turvo de um jovem com ambições de feiticeiro, decorre a segunda curta metragem do catalão Christian Avilés — realizador tão interessado na espiritualidade oculta da adolescência.
O universo cinematográfico de Christian Avilés é atravessado por feitiçarias, tanto temáticas quanto estéticas. Nesta segunda obra, o desejo arrebatador de um jovem queer, estranho aos olhos da sociedade, pulsa não só no ecrã do telemóvel junto ao peito, mas em sonhos e poemas dedicados ao homem que deseja possuir. “Eu pertenço ao desejo”, ele escreve, uma frase que parece condensar não só a condição de um protagonista confinado ao seu quarto, mas a de uma juventude faminta por uma vida que arde. É um curta-feitiço por si só, nos envolvendo e nos trazendo de volta a memória de um amor vivido com uma intensidade quase insuportável. (Pedro Gonçalves Ribeiro)