Os desenhos são minimais, a história é cabeluda. O cabelo também é importante nesta construção da masculinidade: desde a primeira ida ao barbeiro à perda de cabelo inicial, e muito mais.
Seguimos a vida de uma personagem enquanto atravessa a sua jornada da infância à idade adulta, com atenção particular no seu cabelo e nas suas sobrancelhas. Um tema banal, dir-se-ia. Um olhar mais atento desvenda, porém, como S The Wolf explora os temas da construção da identidade e da masculinidade. Desde o trauma infantil no barbeiro até ao primeiro amor, passando, é claro, pela perda de cabelo e, eventualmente, pela perda maior, na morte do pai, esta narrativa ilustra como a aparência física se torna um reflexo das transformações internas do ser humano. Entre o amor próprio ou a incessante necessidade de agradar aos outros, a personagem enfrenta esses desafios munido de um sentido de humor que, mesmo nos momentos mais difíceis, oferece uma perspectiva leve e irónica sobre o processo de amadurecimento. Com um tom lúdico, a animação aborda questões complexas sobre imagem, aceitação e as expectativas da sociedade – também elas impossíveis de satisfazer –, sem perder nunca o charme e a graça. (Jéssica Pestana)