Hanka visita o seu solitário avô e tudo é uma viagem ao passado, inclusivamente o acto de comer conservas feitas em casa. Mas falar do passado é também confrontar o presente.
Uma viagem de comboio, um schnitzel e pickles fora do prazo servem como ponto de partida para uma narrativa que oscila entre os temas do velho e o novo, do passado e o presente, entre o que se move e o que permanece inalterado. Winter Monologues é um filme comovente que retrata a vida que há nos gestos banais e tudo o que eles contêm: o que já lá vai e o que poderia ter sido. Mas, acima de tudo, trata de uma história sobre o carinho partilhado à mesa, à hora de comer, onde o amor romântico carrega uma dualidade: faz parte da memória do avô e é uma incógnita no futuro da neta. No fim, ficamos com uma belíssima reflexão sobre o que permanece e o que se conserva ao longo do tempo. E uma realidade verdadeiramente familiar: o amor entre neta e avô é alimentado, não por gestos grandiosos, mas pela partilha de comida e de pequenas sabedorias. Uma lembrança de que, como diz Patti Smith, “o amor é um banquete em que nos alimentamos.” (Jéssica Pestana)