O ouvido de Lorenzo está estranho. Foi depois de um acidente de barco que o zumbido apareceu, para não mais o deixar, intensificando-se mais e mais, deitando a mão ao seu dia-a-dia. Através de consultas médicas e terapias menos tradicionais, esta é a sua busca por um alívio que restaure o silêncio.
Após um acidente, Lorenzo passa a ouvir um zumbido persistente que altera profundamente a forma como se relaciona com o mundo. À medida que os sons do quotidiano o interpelam e desafiam, Lorenzo inicia uma errância tranquila por consultas, terapias e encontros improváveis, em busca de alívio ou de compreensão. No coração deste filme está uma ideia simples, formulada após um diagnóstico médico: quanto menos escutarmos o exterior, mais nos ouviremos por dentro. Do desconforto à curiosidade, o filme vai revelando a sua crescente atenção ao som – ao que vem de fora e ao que ecoa no interior – desenhando uma experiência sensorial delicada, entre velhos ruídos e novas frequências. Com um embalo leve e um humor subtil, El oído absoluto constrói um percurso de escuta e de abertura ao outro, onde a estranheza dá lugar a uma forma íntima de reconciliação com o mundo. (Cláudia Marques)