Depois do aclamado Sun Dog (2020), este é o segundo filme de Dorian Nour Jespers, jovem realizador belga com uma certa tendência para o absurdo. Em Loynes — estreado na Quinzaine des Cinéastes de Cannes — um cadáver vai a julgamento na Liverpool do século XIX.
Um corpo sem nome ou passado conhecidos é julgado por uma corte barulhenta na Liverpool do século XIX. Kafkaniano em sua essência, o segundo curta metragem de Dorian Jespers propõe – entre outras camadas – uma reflexão sobre o tempo. O corpo acusado está sem vida, mas “estar morto não significa não estar”: cria-se um fantasma que atravessa anos e espaços para impedir que sua própria história seja apagada. Estranho, absurdo e irônico, Loynes é um projeto que se estendeu por anos, passando de longa metragem a videoinstalação. Em sua forma final, reúne imagens de drone e impressionantes VFX, além de uma câmera no tribunal que parece sempre à procura de algo, como um culpado, uma prova, ou uma voz capaz de esclarecer o inexplicável que ali acontece. É também um espelho de uma sociedade constantemente em busca de si mesma e assombrada pelos fantasmas de seu passado. (Pedro Gonçalves Ribeiro)