Após a morte de um peixe, a depressão da mãe vem à tona. A filha dança para evitar o naufrágio.
Neste poema animado, um peixe morre diante de mãe e filha. É a natureza a exercer a sua lógica, quando uma garça em voo apanha o peixe solitário e o devolve à terra sem vida. Desencadeia-se um abismo emocional que parece transcender aquele momento evocando a impotência humana perante a perda, seja de um animal ou da razão. A mãe fragmenta-se em sombras, réplicas tenebrosas de si mesma, que a chamam para o lago insistindo para que ceda à tristeza. A filha, sem palavras que bastem para recuperar a mãe, escolhe a dança como apelo, evocando esse laço que as une, num gesto frágil e desesperado para segurar o que lhe escapa. La Mort du Poisson é uma coreografia onde a música respira por quem já não consegue falar. Um lamento íntimo, onde o luto não é apenas ritual, mas um espelho: o lugar onde a criança descobre que amar também é aceitar os limites dos outros, e encontrar no movimento o seu próprio centro. (Margarida Moz)