As frases são projectadas mas não obtêm resposta. As movimentações são frias e demoradas — para que não possam surpreender. Tudo é calculado. Tudo é plástico. Tudo é o que tem de ser. Pai, mãe e filha cumprem o que está escrito no seu guião; uma família-fachada numa coreografia a que chamam casa.
Em The Apple Doesn’t Fall… encontramos um recorte de uma vida doméstica alheia, ainda que familiar. Nesta casa, uma luz defeituosa é suficiente para expor todas as falhas, apesar do esforço conjunto para ficar bem na fotografia.
Independentemente da linguagem absurdista, torna-se claro que há sempre regras rígidas debaixo do tecto de alguém, especialmente quando vigora uma lei que dita que cada tecto pode albergar apenas uma criança.
Desta filha única, vemos a vida resumida em episódios marcados pelo peso da solidão, em que a repetição e o ressentimento são constantes.
A coreografia e a frequente oscilação do ritmo não são suficientes para desviar o foco da violência implícita no silêncio, que ora revela indiferença, ora o peso das expectativas.
O que resta desta fachada quando se quebra a quarta parede? (Sara da Cruz)