Um filme que junta ficção e realidade para contar a história de uma mulher indígena, a avó do realizador, e a árvore por si plantada, cuja fruta é a jaca — e ambas são vistas da mesma forma, como algo indesejável.
Voltar e confrontar os cantos da nossa infância. Felipe M. Bragança retorna ao Indie com uma curta rodada no quintal da casa de sua avó, em Queimados, na Baixada Fluminense. Como ele próprio descreve, o filme funciona como uma prece — não apenas para ela, mas também para o pé de jaca que moldou sua juventude. Com representações e origens singulares, Jaca e Zizi são agora figuras fantasmagóricas e confundem a própria noção de árvore genealógica, dissolvendo as fronteiras entre ancestralidade e imaginação. Ao entrelaçar memórias, espiritualidade e fabulação, Felipe constrói um universo onde o passado se reinventa e o invisível se manifesta. E entre sombras e luzes filtradas pelas árvores do jardim, somos confrontados com um Brasil íntimo e místico, onde a terra, a árvore e os espíritos da família se tornam um só corpo. (Pedro Gonçalves Ribeiro)