Às vezes, o passo mais difícil do dia é o primeiro. Em Sono Solto, o herói trava uma batalha consigo mesmo: valerá a pena deixar o conforto do edredon e viver a vida no exterior? Por meio de uma narrativa fragmentária, assente em sonhos e associações, esta curta metragem acompanha a especulação do protagonista sobre actividade e passividade, a passagem do tempo e as vantagens e desvantagens de estar acordado.
Entre a cama, a água que corre e a natureza lá fora, há um movimento que flui pelo filme e se solta despreocupadamente numa certa deriva. Rodrigo deixa-se ir, levanta-se e deita-se e o compasso das imagens entra num trânsito que parece gerar uma corrente onírica de suavidades, de sons e de sensações. Sono Solto liberta as imagens que se deixam imprimir pela película e se projectam em mais sonhos, despertando um mundo que acorda para as “possibilidades fora da cama” num vaivém dentro e fora. (Carlota Gonçalves)