O filho vive na rua, a mãe desce as avenidas em busca de vestígios. A única prova de vida são os graffitis que ele inscreve nas paredes da cidade — que ela desata a documentar. Depois, como se aquela tinta fosse uma carta, agarra na lata à procura de uma resposta.
Uma mulher vive há anos em Estocolmo sem notícias do filho. As únicas pistas da sua existência surgem espalhadas pela cidade, sob a forma de tags que ele deixa nas paredes – assinaturas que ela reconhece desde a infância e que, para si, soam como um eco da sua voz. Estes sinais de vida são o último reduto desta mãe, que passa a segui-los e a fotografá-los com devoção, construindo um álbum fotográfico como o arquivo íntimo e obsessivo de uma perda. Preservando a sua identidade de forma lúdica, o filme dá-nos a ver os seus gestos silenciosos e persistentes, até que ela encontra uma forma inesperada de responder – e, talvez, de restabelecer uma ligação. Misturando imagens do presente com fragmentos do passado, este filme terno e comovente sobre o amor materno lança uma nova luz sobre o potencial do graffiti – mesmo nas suas formas mais cruas – enquanto gesto de presença, memória e comunicação. (Cláudia Marques)