Há gente cujas histórias se devem conhecer. Carroll B. Williams Jr. foi um pioneiro engenheiro florestal, investigador académico e entomologista — primeiro afro-americano a ser contratado pelo U.S. Forest Service —, cujo legado na floresta estado-unidense é incomensurável. Mars Verrone dedica este retrato ao avô.
O tempo da floresta torna insignificante o tempo da pessoa. A natureza demora a existir e permanece. As pessoas atravessam o tempo da natureza sem sequer dar conta dos seus detalhes e tantas vezes sem se preocuparem com a sua preservação, essencial à vida.
“Buckskin” era a alcunha de Carroll Burns Williams Jr., o primeiro afro-americano a doutorar-se em silvicultura e entomologia e a ingressar nos Serviços Florestais norte-americanos. A sua vida foi marcada pela pesquisa da floresta, da sua preservação, da importância da gestão dos seus recursos no combate à pobreza e à sobrevivência dos povos nativos – “temos que aprender uns com os outros”, dizia. “Buckskin” foi também um homem que desafiou a lógica do seu tempo, onde um negro dificilmente poderia sonhar com uma carreira académica. Viveu como sonhou e neste documentário, no final da sua vida, reflecte sobre o que fez e como o fez e usa o tempo da floresta para pensar o seu – tão mais curto, tão mais perto do fim.
A serenidade dos seus pensamentos apazigua a proximidade da sua partida. Ele diz que tem a mão na maçaneta da porta de saída; que não quer ir porque gosta da vida que tem. Mas não há revolta nem protesto, há apenas o sentimento de perda de uma vida boa, manifestado de forma pacífica. Recorrendo ao poeta galês Dylan Thomas, sugerem-lhe que não vá tão docilmente nessa noite linda, mas é já tarde a floresta que tão bem o acolheu continuará o seu destino. (Margarida Moz)