Organza é uma artista, mas até no espaço é difícil viver da sua arte. As dificuldades agravam-se e a solução parece ser apenas uma: vingança. Mas a vingança pode ser uma viagem ao longo da qual se vão conhecendo criaturas que apontam para outro destino possível.
Áspera, ressentida, má colega de nave, Organza é uma artista falhada numa galáxia não tão distante assim. Segundo a sua naturopata, só há uma cura possível para a sua colite nervosa: encontrar e matar o sua ex-amante. Com uma estética assumidamente artesanal, nostálgica e punk, Organza’s Revenge veste-se de filme de ficção científica e aventura para satirizar com humor mordaz as angústias, egos e figuras vampíricas do meio artístico, fazendo desse comentário um espelho de uma série de preocupações sérias (velhas e contemporâneas) sobre o papel dos mediadores, a máquina trituradora das aspirações artísticas, o tratamento das políticas identitárias, etc. No final, a cruzada intergaláctica levará Organza a descobrir que talvez haja mais valor no abraçar da sua vulnerabilidade do que na persecução da vingança. (Cláudia Marques)