A primavera é um momento de renovação. A natureza sai de um período de hibernação para se pavonear em todo o seu esplendor. No sul da Itália, em Basilicata, este momento é celebrado com um casamento arboreal em forma de dança, em que seres humanos dão as mãos ao mundo natural para, em conjunto, atingirem algo sublime.
Em cada primavera, decorre na região italiana de Basilicata um rito pagão que consiste num casamento arboreal. Angelo Toscano tem não só o mérito de preservar com o seu filme este rito, em risco de desaparecimento tal como muito outros costumes regionais por toda a Itália e Europa, como o faz com uma contemplação misteriosa e um respeito pela passagem do tempo. Um filme corajoso, de alguém a pensar numa ideia de cinema enquanto observa a união entre o ser humano e a natureza. (Carlos Ramos)