Férias em família podem correr de duas maneiras: muito bem e serem memórias acarinhadas para o resto da vida; ou muito mal e servirem para fazer romper as tensões que se têm acumulado. Quando esta família de quatro pessoas e o seu cão chega ao hotel tailandês, talvez o resultado seja a segunda opção.
Uma família de quatro e o seu cão chegam a um hotel à beira-mar, na Tailândia. Cedo se desenha um recorte no retrato de família — é a partir da presença desligada do pai que se deixa entrever o comportamento da mãe e dos filhos. No centro desta estrutura frágil está um cão pequeno, transportado como um bebé, que funciona como espelho inocente do desalinho emocional dos donos. Quando a família abandona o hotel para visitar uma gruta budista, o filme toma um rumo imprevisto. A mudança de espaço transforma também o tempo e o tom da narrativa, convidando o espectador a mergulhar na experiência imersiva das personagens, na sua silenciosa crise de fé. Da penumbra à escuridão, o tempo abranda, o silêncio adensa-se e a câmara fixa a matéria das rochas como se nelas escavasse um eco do sofrimento humano. Uma experiência misteriosa, meditativa, de uma beleza quase litúrgica. (Cláudia Marques)