Aquilo que Jodie Mack faz com as imagens parece escapar ao universo das coisas concretas — ou, pelo menos, confere-lhe um outro tempo, uma outra luz, como se de um sonho se tratasse, numa montagem única e perfeitamente experimental. Em Lover, Lovers, Loving, Love, a cineasta britânica compõe uma coreografia amorosa e sexual entre flores e pétalas resgatadas ao seu jardim.
O regresso da realizadora de cinema experimental Jodie Mack ao festival (The Grand Bizarre, IndieLisboa 2019) desenha-se entre poesia, romance e uma dança contínua de flores. Todos os filmes devem ser vistos numa sala de cinema, mas há alguns que só faz sentido serem experienciados assim. Este é um deles. Esta possibilidade eleva o filme a outro patamar. O de uma experiência sensorial partilhada, quase ritual. Há amor, vida, sexo e morte. O filme é belo, belo, belo. Uma beleza que se multiplica em cada uma das partes do filme, até desaguar numa explosão psicadélica de têxteis florais. (Carlos Ramos)