Para Azaa e Shagai, a procura por uma nova casa é uma manobra de diversão para um divórcio iminente. Presos no trânsito infernal de Ulan Bator, capital da Mongólia, a discussão prospera.
Como outras metrópoles asiáticas, Ulan-Bator, a capital da Mongólia, é um dinâmico centro de crescimento económico e político, impulsionado pelo intenso êxodo da população rural do país. No meio desta cidade em expansão vertical e horizontal – de prédios altos, trânsito caótico e densa periferia –, acompanhamos Azaa e Shagai, um jovem casal com uma filha, à procura de um lar e a tentar reconstruir a sua vida – e a sua relação. Entre apartamentos novos e desabitados, carreiras profissionais exigentes e feridas emocionais do passado, as tensões acumulam-se, sob o peso da vida urbana e o vazio existencial de cada um.
E mesmo assim, até no epicentro do frenesim citadino entrevemos breves momentos de intimidade e reconciliação. Um abraço no carro, no meio do trânsito, simboliza a possibilidade de reencontro com o outro, o amor que ainda cabe entre o ruído, as responsabilidades e a pressa do dia-a-dia. O filme A South Facing Window oferece um retrato sensível da tensão permanente entre os laços familiares e as pressões da vida moderna, revelando em cada indivíduo a busca por identidade, significado e ligação num mundo que não espera por nós. (Jéssica Pestana)