Yuyan Wang, uma realizadora e artista chinesa agora em Paris, imagina um mundo onde o petróleo, ou uma substância-parecida-com-petróleo é a cola que tudo segura, uma alegoria que mexe com noções de capitalismo e extração a nível global e questiona o futuro — deste mundo e do nosso.
Yuyan Wang volta a demonstrar uma excecional mestria na exploração das possibilidades plásticas e rítmicas da montagem, manipulando imagens recolhidas da internet para construir um pensamento crítico sobre a tecnologia. Aqui, é a lógica sangrenta do petrocapitalismo que é exposta e orquestrada ao ritmo da máquina — e da gosma negra que escorre como um organismo vivo — o lado oculto da promessa tecnológica de um futuro brilhante. Dir-se-ia que Wang manipula até o som: um êxito dos anos 80 surge aqui distorcido, arrastado como o petróleo que flui nas imagens. O resultado é uma trip visual e sonora absolutamente hipnótica, em que damos por nós a observar com melancolia as imagens do mais concreto apocalipse. (Cláudia Marques)