Suzana prende-se ao passado, incapaz de ultrapassar a perda de alguém querido e de viver a sua vida sem essa mágoa.
Dias e noites e noites e dias. Os dias a passar e o luto ainda a decorrer e a escorrer. Se este filme fosse um disco, seria aquele disco que temos guardado, o nosso pequeno segredo, que tiramos da prateleira quando estamos em baixo, que pomos a tocar sempre que estamos tristes, e que parece que momentaneamente nos cura, para ouvir sozinhos, na escuridão do nosso luto que não passa, até um dia se acender uma luz, que acaba sempre por acender. O filme de Luiz Afonso Morêda consegue criar um ambiente de melancolia profunda que nos irá acompanhar mais tempo que os seus 14 minutos. (Carlos Ramos)