Quando as reclamações constantes do namorado (tingidas de narcisismo de tal forma que ela se sente invisível) a deixam a rebentar de raiva, Laura vai ter de fazer algo no sentido de sair desta situação onde até a paisagem é sombria.
Ao assistir e reassistir a este novo trabalho da francesa Tohé Commaret, uma estranha angústia me atravessa enquanto adentro o frágil mundo de Laura. Tudo parece à deriva: a própria protagonista, os olhares – e a ausência deles –, os travellings, as chamadas sem resposta e até mesmo os desbotados tons de azul. Os prédios ao redor parecem ruir, enquanto as suas unhas, feitas e perfeitas, parecem prestes a quebrar. Um estranho coming-of-age, este filme perturbador nos convida a conhecer uma ruptura que mais se assemelha ao fim do mundo, para também então nos revelar um suspiro nos seus impressionantes planos microscópicos de uma formiga num jardim. (Pedro Gonçalves Ribeiro)