Um olhar cómico sobre alguém que sente que já não pertence às mesmas coisas de antigamente, seja uma casa ou um grupo de amigos. O que restará entre a dúvida e o anseio? A esperança.
Nina é uma jovem desprivilegiada e alienada de 20 e poucos anos a viver sem rumo em Berlim. Tal como o título indica, o filme passa-se num dia de Nina, caracterizado por esta “série de encontros”. Esta rapariga indecisa e sem saber para onde se virar encontra ou vai atrás de várias pessoas durante o seu dia. Sem contar com um pouco de tecido conjuntivo (curtos momentos pré/pós encontro, curta reflexão individual ou em casos menos comuns um jogo de campos-contra campos no momento de primeiro embate em si) o filme cede um plano para cada um destes encontros. Nesta sucessão de enclausuramentos alongados das personagens em gaiolas fílmicas, há uma extensão dramática dum falhanço em linha descendente. Entre um humor seco aflitivo e nervoso, e uma aflição e nervosismo reais e completamente arrepiantes, o filme consegue mapear de forma cirúrgica a vida de uma rapariga, ou melhor, de uma interseção muito específica demográfica e geracional de uma forma igualmente ácida, e no fim, calorosa. (Vasco Muralha)