Evocando o humano, o orgânico e o extraordinário, Crua+Porosa é uma história de amor obsessivo e uma entropia de entorno surreal entre duas pessoas que se entregam ao desejo absoluto.
“A beleza será compulsiva ou não será’’ dizia Breton e ecoa em crua+porosa que se sente como um filme matéria, carregado de pele e desejo. Dentro de casa, duas mulheres, e uma proximidade que se explora na mesa, no sofá, na cama, na partilha do prazer que pinga da boca, se esvai e escorre do suco da fruta que se degusta. Quadros de imagem que são pinturas, flashes oníricos e sons que se colam à pele, e uma vertigem ultra sensorial percorre o corpo do filme. (Carlota Gonçalves)
Segundo tomo de uma história complexa, este crua + porosa inicia-se onde Azul (o primeiro filme da cineasta) tinha terminado. Da passagem da cor – de azul a laranja, da racionalidade para a emoção, da ausência de toque para o colar intenso do desejo, da racionalidade para enfim, emoção. É neste novo terreno de exploração que acompanhamos a personagem interpretada também pela sua autora. E é a sentir cada gomo, cada poro, cada vibração, cada vertigem, cada toque, cada som, cada plano, cada imagem, cada fotografia, cada diospiro, cada TUDO. Vertigem infinita num filme de prazer, sabor, com cor, viscosidade e sensualidade. Ágata Pinho tem muito para nos dar, mas o que sentimos neste filme, é já uma bela versão do que está para vir. (Miguel Valverde)