Um dia, depois outro, um operário de uma fábrica automatizada cumpre com a sua função e esquece-se do seu passado.
A fábrica falha. Acusa. Ele foge.
Um dia, mas depois outro, o homem vê, por entre a memória, uma realidade desconcertante.
“O Povo Unido Jamais Será Vencido”. É assim que começa o novo filme de Catarina Romano — com um cartaz na parede que carrega a memória histórica de uma revolução e que é colocado em diálogo com os tempos atuais: automação, inteligência artificial, alienação, emergência climática e outros fins do mundo anunciados. Um filme político, enigmático e intrigante. Um filme que nos coloca perguntas e que se torna ainda mais atual à medida que assistimos a um processo de revolução invertida a desenrolar-se pelo mundo, tendo como figura simbólica do retrocesso um automóvel, tal como neste filme. E tudo isso ganha vida através de uma animação de plasticidade incrível. (Carlos Ramos)