Ao longo de uma noite, René, uma imigrante brasileira em Lisboa, enfrenta a difícil escolha entre permanecer ilegal numa cidade que se torna cada vez mais estranha ou retornar ao lar do qual fugiu. Os seus conflitos externos e internos entrelaçam-se, revelando as complexidades de viver entre dois mundos.
A errância, modo de viver. Como escreveu a autora polaca Olga Tokarczuk, “a mudança será sempre mais nobre do que a permanência; o que é estático degenera e apodrece, transforma-se em cinzas, enquanto o que está em movimento pode durar por toda a eternidade”. Em Quem Se Move, a primeira curta-metragem de Stephanie Ricci, essa errância é atravessada por uma melancolia: no olhar de René, de frente para o porto de Lisboa; nas piadas trocadas entre amigos que exorcizam as dificuldades da condição migrante; ou ainda no mais belo encontro de escadas dos últimos tempos. As escadas, também elas símbolo de movimento e transição, acolhem este momento de intimidade desarmante. Cada fragmento desta noite de René é revelador, formalmente camaleónico e, ainda assim, subtil e orgânico – podendo até escapar ao olhar dos transeuntes. Quem Se Move revela a procura sincera e incessante por uma conexão, por uma sensação de pertença que sossegue a alma errante. (Susana Santos Rodrigues)