António, um pai ausente, ficou encarregue de alimentar o gato idoso da filha, durante as férias dela. Quando o gato não aparece, António convence-se de que algo grave possa ter acontecido, à medida que descobre pequenas pistas pela casa. Mas serão esses indícios o suficiente para corroborar a sua crença, ou estará António a projectar o seu maior medo, enfrentar a morte? Cat sitting transformado num thriller existencial.
O que um pai ausente não faz por uma filha? Aceita cuidar de um gato de que não conhece os hábitos e nunca tratou, não sabe o que fazer com ele, nem como achá-lo. O desaparecimento do gato é o mote para um filme que nos fala de ausências (nunca vemos a filha, apenas a ouvimos) e o medo da morte. Um pai que nunca cuidou da filha saberá tratar de um gato? e se alguma coisa lhe tiver acontecido, que lhe acontecerá? Este duplo espelho, em formato de thriller existencial como a dupla de realizadores André Santos e Marco Leão descreve, vai fazer-nos rir até ficarmos com dúvidas, uma roda viva de sentimentos, tal como a vida que nunca pára, sempre em direcção ao fim. A dupla, que regressa ao formato da curta metragem, oferece-nos a melancolia dos seus primeiros filmes mais familiares, num retrato singular de uma situação, oferecendo uma realização madura e inteligente, e fazendo o brilhar o grande actor Miguel Guilherme, que aqui nos oferece mais uma das suas brilhantes interpretações. (Miguel Valverde)