Tão vasto e tão privado. O luto é uma entidade paradoxal, um velho (des)conhecido, uma criatura de muitas silhuetas. Neste workshop de encadernação — destinado a aumentar a esperança média de vida de alguns livros — é ele o protagonista.
Um filme inteiro sob o efeito das Variações de Goldberg. Inicia com a colocação precisa de tinta em água necessária a um processo de tingimento de papel, e o resto do filme que se segue parece mover-se no mesmo tom de alastramento subtil. A história de luto de uma das personagens de um curso de encadernação é o fio condutor que une os vários momentos deste filme, mas além do expressamente narrativo, é uma visão paciente sobre estas emoções. Em planos longos cuidados que atentam tanto o comportamento como o tempo das personagens que os habitam o filme parece mostrar, neste tom discreto melancólico e sob várias luzes, as pequenas mas importantes variações e emocionais deste processo de luto (e das pessoas que o rodeiam). Independentemente da história que lhe é atribuída, a música de Bach no filme não para de ser associada a calma. (Vasco Muralha)