António acorda e encontra uma réplica exacta de si a boiar inanimada na piscina. Sem explicação, ele e a sua família tentam lidar com a confusão, desconfiança e um sentimento de luto que se instala entre eles. Entre o absurdo e o conflito, a vida segue, imperturbável, como se não muito tivesse mudado.
E se um dia tu encontrares o teu sósia morto na tua piscina e toda a família estiver a pensar fazer um luto inexistente? Partindo desta situação absurda, o cineasta Tiago Rosa-Rosso, que já nos habituou a situações ambíguas, ambivalentes e estranhas em filmes, leva de novo a água ao seu moinho, propondo uma comédia de surpresas, num jogo teatral evidente, em que uma casa de férias se transforma num verdadeiro palco. O filme transforma-se a, pouco e pouco, numa espécie de tragédia cómica em que o protagonista parece viver uma realidade que o ultrapassa. E quanto mais o protagonista tenta perceber a situação, mais parece enterrar-se numa ideia de absurdo kafkiano, da qual não há saída possível em que todos saiam ilesos. Mas Rosa-Rosso domina este jogo teatral e os seus actores, fazendo-nos acreditar no impossível. (Miguel Valverde)