Falar a língua materna é uma boa maneira de manter uma ligação à nossa cultura. Mas, se isso falhar, talvez se possam usar outros meios, como aprender mais sobre um peixe e a sua história.
Um rapaz de dupla nacionalidade tenta aprender sobre o seu local de nascimento e a sua cultura, não sabendo falar a língua. Isto é feito através de um peixe, bicho que normalmente também não fala, mas aqui sim na narração – e de dupla nacionalidade como o rapaz. Crispin Yanisi tece uma narrativa poética de descoberta e pertença através de duas linhas paralelas, a viagem de descoberta do rapaz e o relato da vida de peixe, de mar à mesa. Entre o relato visual do mundo animal e o contexto sonoro do mundo do rapaz, preenche-se o abismo na voz de um peixe. Embora um filme claramente narrativo, e de “princípio, meio e fim”, esta história é reduzida aos elementos essenciais, deixando espaço aberto para um reverie poético. Entre a fotografia em película de um lindíssimo multicolor pálido e uma orquestração intricada de sons e vozes em toda a sua potência panorâmica, Tila•pia é uma longa peregrinação das terras aos mares e vice-versa. (Vasco Muralha)