Ao voltar de umas férias, uma rapariga repara num rapaz e o seu mundo abre-se um pouco mais. Talvez seja isto que significa crescer.
O realizador Terence Davies, o “cantor da memória”, entendia o pub inglês como o espaço de coesão da comunidade, onde era a música – a canção, cantada em coro, por todos! – que tratava de cerzir os laços entre os vizinhos e entre as diferentes gerações. O bar é, nos seus filmes, um local de agregação onde, entre cervejas e cantorias, se dá um processo de identificação e união de classe. Die Sänger partilha desse mesmo espírito coletivo (e coletivizante), localizando-o no interior rural austríaco. No entanto fá-lo de uma perspectiva distanciada, tomando o ponto de vista de uma família citadina que acidentalmente entra num território místico, onde tudo lhes é estranho: a paisagem, os ritos, os costumes. Essa exterioridade permite entrever as fissuras daquele lugar (contornando assim o eventual exotismo essencialista): junto do espírito comunitário está o provincianismo, junto do rapaz imberbe está a bebedeira. “Porque a formosura precisa de ter um aviso nela, para salvação dos homens.” (Ricardo Vieira Lisboa)