Uma exploração engenhosa sobre o impacto das figuras do jazz norte-americano da epóca num episódio histórico quiçá pouco conhecido da Guerra Fria, o do golpe de estado que envolveu o assassinato de Patrice Lumumba, líder independentista e primeiro primeiro-ministro democraticamente eleito da República Democrática do Congo. Um retrato que tece uma tapeçaria que une personagens históricas (de Khrushchev a Eisenhower) a nomes incontornáveis da música como Nina Simone, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie ou Miriam Makeba.
Guerra Fria, colonialismo, jazz. Congo, Bélgica, Estados Unidos e União Soviética. “Soundtrack to a Coup D’Etat” é um mosaico de música e História, intrincado na narrativa, mas fluído como o swing de Louis Armstrong, elegante como o bebop de Dizzy Gillespie, intenso como o ritmo de Max Roach, inflamado como a soul de Nina Simone. No centro, o assassinato de Patrice Lumumba, o carismático líder do Congo, herói da independência do país. Johan Grimonprez conta-nos da sua ascensão e morte, trajecto que vai da esperança à tragédia enquanto os líderes da Guerra Fria movem as suas peças e a antiga potência ocupante manobra nas suas ambições neo-colonialistas. “Soundtrack to a Coup d’Etat” põe no mesmo plano a assassinato, as histórias paralelas e a música, o jazz norte-americano, que “comenta” a narrativa. Em ebulição criativa e política nos anos 1960, inspirado pela África que se libertava do colonialismo, a música é o guia de tudo o que vemos, coro de tragédia e agente da acção. (Mário Lopes)