O canto sinistro de um conjunto de querubins em decomposição anuncia a utopia. Uma máquina — não muito-máquina — revela o que é para si o paraíso. Merrimundi é o novo filme de Niles Atallah cuja filmografia mais recente se tem dedicado à estética pós-apocalíptica.
Pelo relógio do apocalipse estamos, em dezembro de 2025, a 89 segundos do fim do mundo. O que lá vamos encontrar pode ser o que vemos em Merrimundi. Puro delírio e caos num cenário pós-apocalíptico onde se falam várias línguas e de onde emerge também um espaço de renascimento e criação. Niles Attalah entrega-nos um filme em que quase podemos tocar. Um festim sensorial e um impulso criativo que expande o imaginário e alarga horizontes. Entre o musical, a performance e a alucinação colectiva, as marionetas de Attalah impregnam-se do espírito dos irmãos Quay e de Svankmajer. (Carlos Ramos)