Conheci Jay quando trabalhava no Kanaal40, um bar em Amesterdão. Enquanto eu trabalhava ao balcão, Jay tratava da segurança à entrada. À porta do bar, Jay encontrou um sentimento de segurança: um espaço liminar onde se pôde expressar e explorar quem queria ser. Mesmo após o bar encerrar, essa experiência continuou a influenciar profundamente a sua vida pessoal.
Jay trabalhou como segurança à entrada do Kanaal40, em Amesterdão, um espaço cultural que reunia bar, restaurante, clube e plataforma de expressão da chamada “micropop culture”: pequenas cenas culturais, nichos e comunidades muito específicas. Enquanto no interior se cruzavam linguagens artísticas e pessoas diversas, a porta funcionava como fronteira entre o exterior e esse universo em constante transformação.
Foi nesse limiar que Jay encontrou algo mais profundo do que um emprego. A posição à entrada tornou-se um espaço de observação, pertença e descoberta, onde começou a explorar a própria identidade, sob a influência da energia inclusiva e experimental do lugar.
O filme acompanha esse processo de transformação, desenhando o retrato de Jay e do Kanaal40, onde o realizador também trabalhou e onde ambos se conheceram. Através de recorte, montagem, sobreposição e justaposição de imagens e desenhos, este documentário animado traduz uma experiência sensorial e revela Jay em toda a sua dimensão. (Margarida Moz)