Num campo de férias, em 2007, João conhece Ivo. Éramos Só Putos é uma possível narrativa de um adolescente queer, que encontra na camarata e no hip-hop e pop da sua realidade, um local que oscila entre a descoberta e a vigilância punitiva.
Num campo de férias onde todos parecem demasiado próximos uns dos outros, há encontros marcantes. O filme passa-se no Verão, no início dos anos 2000, e entre camas alinhadas, noites abafadas e músicas ouvidas em segredo, cresce uma intimidade feita de pequenos gestos e perguntas que ficam suspensas no ar: “O que é que estás a ouvir?”, o tema é relativamente indiferente, “Posso ouvir contigo?” Há sentimentos que cabem num auscultador partilhado, num toque, num abraço terno e demorado. Mas há também desejos que aprendem cedo a esconder-se, moldados pelo medo, pela vigilância e pela ideia de que certas coisas não devem ser ditas. Entre a vontade de se aproximar e o receio de ser visto, um rapaz descobre que crescer também ter de negociar o espaço entre aquilo que se sente e o que é permitido sentir. Os amores de Verão nunca são fáceis, mas há uns mais difíceis do que outros. (Margarida Moz)