Uma comunidade de pescadores na Costa da Caparica adapta uma das artes piscatórias mais antigas de Portugal, a Arte-Xávega, ao mundo moderno, numa coreografia entre a máquina, as ondas e a força dos homens.
Na praia, entre a cadência das ondas e o chiar dos motores, desenha-se uma coreografia antiga: a Arte-Xávega. Os barcos que partem lançam as redes num arco invisível para depois regressarem trazendo consigo não só peixe, mas o início de um ritual coletivo.
Em terra, homens e máquinas colaboram para afinar os movimentos. Tudo depende de um equilíbrio frágil: o tempo do mar, o peso da rede, a precisão de cada gesto. Cada companha move-se como um só corpo, numa dança em que ninguém pode falhar. Entre o passado e o presente, a Arte-Xávega continua a acontecer, não como memória, mas como prática viva, entre tradição e adaptação na Costa da Caparica, que conhecemos mais como praia e diversão, e muito menos como local de trabalho.
Afinal, como nos lembra logo no início deste filme o vídeo de arquivo de 1967, desvalorizando muito deste esforço colectivo, “Os velhos pescadores nas suas fainas dão uma nota pitoresca ao conjunto da buliçosa praia.” (Margarida Moz)