Com apenas com 15 anos, Lois vai embarcar numa investigação para perceber como estará a alma da irmã, que morreu tragicamente e cedo demais. Em pleno Arkansas, atrever-se a perguntar é atrever-se a ter esperança.
A economia dramática de Holy Water é absolutamente desarmante. Ela resulta de um apurado trabalho sobre as memórias da realizadora, criada num meio ultra religioso (Claire Barnett cresceu numa comunidade Baptista). Daí que se trate de um filme de época, remontando ao período em que, nessa mesma comunidade, se iniciou uma onda de suicídios entre adolescentes. Sendo de época, o filme assume uma posição ambígua: ora se inscreve num tempo concreto, o final dos anos 2000 (a certa altura vê-se um CD de In Rainbows dos Radiohead), ora se assume como uma revisitação dos teens movies dos anos 1990 (fazendo referência explícita a The Craft) – revisitação carregada pelo trauma da perda e pelos sentimentos contraditórios da culpa. A potência de Holy Water está na secura da realização, no modo sucinto e sem floreados com que constrói as cenas e organiza a ação e, claro, na forma como a atriz Abby Miner transcende a dor da perda através do confronto entre os elementos: “círculo de fogo”/ “água benta”. (Ricardo Vieira Lisboa)