O peso da religião sente-se sobre a vida de Elahe quando ela regressa a Mashhad, no Irão, a cidade onde cresceu. Os pais vão mudar de casa e ela vai ajudá-los na mudança — mas a morada não é a única coisa que ela pretende ajudar a alterar.
Elahe volta à cidade onde cresceu – Mashhad, no Irão –, para ajudar os pais numa mudança de casa. O regresso à cidade natal coloca-a frente a frente com um passado no qual a realizadora já não se reconhece. A Move é, em todos os sentidos, um filme de coragem, de ruptura, de recomeço. Mas é, antes de tudo isso, um filme de confronto: com a tradição, com a família, com a cultura. O uso do hijab é abordado como um elemento-chave na luta pela autonomia pessoal das mulheres iranianas, que vivem num precário equilíbrio entre a conformidade e a resistência possível. Por vezes, o ato solitário de uma mulher pode ser o ponto de partida para uma transformação profunda, inspirando todas a desafiar convenções e a procurar mudanças coletivas. (Jéssica Pestana)