Uma mãe solteira, os dois filhos, sol, praia, gelados, férias. As brincadeiras, aqui tão perto, parecem decorrer a quilómetros de distância. Um silêncio estridente anuncia o desespero de Fanny.
Fanny chega a uma pequena localidade balnear para passar férias com os seus dois filhos pequenos. A partir desta premissa simples, o filme compõe com notável economia e intensidade o retrato íntimo de uma mulher imperfeita, dividida entre o cuidado dos filhos e um desejo silencioso de evasão. Atravessada por uma energia indomável, um cansaço latente e uma permanente pulsão de fuga, a personagem imprime ao filme uma vitalidade rara – acompanhada de perto, sem julgamentos nem explicações. No centro deste olhar pouco convencional mas muito cândido sobre a maternidade permanece o vínculo profundo com os filhos – um amor constante, mesmo quando tudo à sua volta parece instável. (Cláudia Marques)