Primeiros destaques da 23ª edição do IndieLisboa 2026
Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, o IndieLisboa apresenta este ano a Retrospectiva Isto Não é um Documentário, dedicada ao mockumentary, um género que joga com as fronteiras entre ficção e realidade.
Já na secção Director’s Cut, revisitamos o passado com um olhar contemporâneo, através de uma selecção de filmes em novas cópias digitais recentemente restauradas.
Retrospectiva Mockumentary – Isto não é um documentário

Nesta edição, a Retrospectiva dedica-se a um género cinematográfico. Isto não é um documentário é o título desta mostra, inteiramente dedicada ao mockumentary, um sub-género que se constrói como um universo ficcional sob a lógica do documentário.
A palavra “mock” pode significar tanto gozar como simular ou imitar. Trata-se da ficção a apropriar-se das ferramentas do documentário — do cinema vérité às reportagens, entrevistas, narração, making of, imagens de arquivo ou reality shows — para diluir a fronteira instável entre representação e realidade.
O termo mockumentary surgiu na década de 60 e atingiu o auge de popularidade nos anos 80. Este programa retrospectivo traça uma linha cronológica desde esses primeiros momentos até à actualidade, sublinhando a fluidez do género e a sua persistente relevância contemporânea.
Nesta retrospectiva serão exibidas 14 longas-metragens e 7 curtas, com filmes de Rob Reiner, Christopher Guest, Peter Watkins, Ruben Östlund, Kirsten Johnson, entre outros.
Director’s Cut

No Director’s Cut, a receita repete-se: cinema de tempos idos visto com olhos dos novos tempos.
Esta secção passou a dedicar-se exclusivamente ao cinema de património em 2025, apresentando uma seleção de filmes em novas cópias digitais recentemente restauradas.
Aqui pretende-se revisitar a história do cinema, recuperando filmes
esquecidos, destacando pérolas obscuras e propondo novos títulos para o cânone do “grande cinema”.
Este ano, os cinco filmes apresentam uma mostra bastante eclética: entre curiosidades e obras-primas, entre a sátira política e o cinema de terror erótico, entre o documentário militante e o biopic feminista, passando pelo policial noir japonês.
Regarde, elle a les yeux grands ouverts (1982, Yann Le Masson), The Red Spectacles (1987, Mamoru Oshii) e Espelho de Carne (1985, Antonio Carlos da Fontoura) são os filmes em destaque.