Die Frau meiner Träume

Die Frau meiner Traumen é exemplar da estratégia de produção cinematográfica do Terceiro Reich como caso supremo do cinema “escapista” durante a guerra. O filme abre e fecha com dois espectaculares números musicais, entre os quais se dá a ver uma história de amor interpretada pela mais famosavedeta do cinema alemão dos anos 40, Marika Rökk. Ficou célebre pelos referidos números musicais, pelo uso do Agfacolor e pela estilização dos cenários. Este é um dos filmes que Rüdiger Suchsland analisa em Hitler’s Hollywood (programado no Director’s Cut).(A partir do texto da Cinemateca Portuguesa)

O Termómetro de Galileu

O mais recente filme de Teresa Villaverde (cujo Colo foi o filme de abertura o ano passado) é um retrato de amigos e de cumplicidades, um encontro proporcionado pelo cinema que vai para lá do cinema, e começa com imagens do realizador italiano Tonino De Bernardi e imagens de Elettra, título fundamental da sua singular filmografia iniciada em finais dos anos 60. “Filmado em Itália com a família do cineasta Tonino De Bernardi, um filme sobre a transmissão entre gerações, sobre o respeito que todos têm uns pelos outros, pela vida, e pela arte.”(A partir do texto da Cinemateca Portuguesa)

So Leben Wir – Botschaften an die Familie

Gustav Deutsch (FILM IST. a girl & a gun e Shirley‚ Visions of Reality, IndieLisboa 2009 e 2013), compõe, em how we live – messages to the family, uma série de filmes caseiros (do Super 8 ao digital), produzidos por emigrantes espalhados pelo mundo. As suas filmagens funcionaram, à época, como actualidades para os vizinhos e familiares que não podiam viajar. Hoje em dia, também as imagens em movimento (através da rede) têm esse poder de nos colocar no outro lado do planeta, com aqueles que nos fazem falta. Uma tocante reflexão sobre o poder das imagens na construção de uma ideia de família.

Años luz

Depois de quase dez anos sem filmar uma longa, Lucrecia Martel regressou ao setcom Zama. Sabendo disto, o jovem realizador argentino Manuel Abramovich (cuja primeira curta, La reina, o IndieLisboa já havia exibido em 2014) contactou a realizadora perguntando-lhe se podia documentar alguns dos dias da rodagem. Não foi fácil, mas conseguiu. Años luz é um raro documento sobre o processo criativo de uma das artistas mais influentes da última década. Um filme que revela, em longos planos observacionais, a sua postura inabalável e a sua meticulosa direcção.

Quando Johann Lurf viu Stromboli reparou que na cena no topo do vulcão o céu estrelado era uma tosca composição de luzinhas sem grande rigor científico. Desde então vem recolhendo planos de céus estrelados em filmes de ficção, tendo identificado, até ao momento, mais de 550 títulos. ★ é o filme que compila cronologicamente todos esses planos. Uma viagem pelo espaço astral que passeia também pela história do cinema: os vários formatos e suportes, os sistemas de cor e som e a evolução dos efeitos especiais. Um lúdico ensaio que inclui planos de dois filmes portugueses. Consegue adivinhar quais são?

That Summer

Em 1975, os irmãos Maysles estreavam Grey Gardens, o extraordinário documentário sobre duas excêntricas primas de Jacqueline Onassis. Mas na verdade, três anos antes, os irmãos já haviam visitado o casarão decrépito e filmado as duas mulheres, num projecto nunca terminado. Göran Olsson (Concerning Violence, IndieLisboa 2015) recupera essas imagens nunca exibidas, cruzando-as com outras rodadas por Andy Warhol e Jonas Mekas. Entramos assim mais fundo no universo das Edies (no seu glamour decadente) e compreendemos melhor uma das duplas mais importante do cinema directo norte-americano.

The Double Life of Paul Henreid

Paul Henreid ficou na história do cinema como aquele que cantou fervorosamente a marselhesa em Casablanca. Mas a sua carreira foi marcada por duas fases: o galã exótico (durante a guerra) e o terrível nazi (no pós-guerra). A história esquecida de uma vida dupla.

The Empty Screen

Quão neutra é uma tela branca? Muito pouco. Nela projectamos os nossos desejos, sonhos e receios. E será que a tela nos olha de volta? O cinema como uma estrada de dois sentidos.

Private Screenings

Nos filmes sobre cinema o espaço da sala de visionamentos privados tornou-se uma recorrência. E quase sempre o que se projecta na tela é menos interessante do que se passa entre os espectadores. Estas particulares salas de cinema são locais onde as emoções fervem e os temperamentos explodem.

Lupo

O italiano Rino Lupo andou pelos sete cantos da Europa a trabalhar em cinema. Eram os anos 10 e 20 e Rino teve três pseudónimos e constituiu duas famílias. Mas foi em Portugal que assentou por mais tempo, realizando alguns dos filmes mudos mais importantes do nosso cinema. Bénard da Costa chamava às Mulheres da Beira “a primeira obra maior do cinema português”. Pedro Lino desenvolveu em Lupo uma profunda investigação sobre o realizador (descobrindo um dos mistérios que o rondavam, o ano e local da sua morte), procurando seguir os passos fugidios de um homem “maior que a vida”.

Grey Gardens

Edie Bouvier Beale e a sua mãe, Edith, vivem sozinhas numa mansão em ruínas em Long Island. São primas de Jackie Kennedy Onassis e apesar do estado decrépito da sua casa (e vidas) mantêm ainda acesa uma certa ideia de glamour. Albert e David Maysles (fundadores do cinema directo) estão lá, com elas, de câmara em riste, testemunhando as suas conversas, discussões, embates e combates. Empoderadas e orgulhosamente provocadoras, elas são duas das figuras mais marcantes do novo documentário norte-americano dos anos 70. O filme é exibido em rima com That Summer de Göran Olsson.

Have You Seen My Movie?

Paul Anton Smith foi assistente de montagem desse colossal filme-instalção de 24 horas chamado The Clock. Na sua primeira longa o realizador canadiano replica o método e reconstrói, a partir de cenas de mais de uma centena de filmes, a experiência de ir ao cinema. Have You Seen My Movie? cruza inúmeras sequências em que personagens entram na sala escura, oferecendo-nos um meta-filme-dentro-do-filme. Uma hilariante sessão de cinema que se passeia pelos múltiplos géneros, deixando espaço para os pombinhos das filas de trás. Porque no escuro do cinema tudo pode acontecer: dos beijos aos tiros.

Hitler’s Hollywood

O anterior filme de Rüdiger Suchsland, From Caligari to Hitler (IndieLisboa 2015), era já uma extraordinária reflexão sobre a liberdade da indústria cinematográfica da República de Weimar e o modo como figurou a iminente ascensão do fascismo. Desta vez, com Hitler’s Hollywood, o realizador analisa os filmes produzidos durante o Terceiro Reich, assim como as técnicas publicitárias e a construção artificial de um star system. Entre 1933 e 1945 estrearam cerca de 1000 filmes, mas só alguns eram obviamente propagandísticos, a maioria era simples entretenimento, mas quão simples?

Chris Olsen – The Boy Who Cried

Chris Olsen foi uma criança-actor que trabalhou com alguns dos mais importantes realizadores dos anos 50, apesar de nunca se ter tornado uma estrela. Aos dez anos “reformou-se”. The Boy Who Cried faz parte da série de autobiografias ficcionais de Mark Rappaport.

Cousin, Cousine

Cousin, Cousine de Jean Rouch, filmado sorrateiramente durante o festival de Veneza de 1985. Protagonizado por dois amigos do realizador e primos entre si, Mariama e Damouré, o filme encontra nos canais venezianos o caudal do rio Níger. Apresentado em versão restaurada digitalmente a 2k.

Elettra

Profundamente ligado à literatura e à música, à arte de um modo geral, o trabalho de Tonino De Bernardi em cinema vem de meados dos anos 60 assumindo o seu percurso inicial um lado experimental, e assinalavelmente prolífero, marcado pela influência dos movimentos de vanguarda e do cinema independente americano da década de 70. Elettra, filmado a partir da tragédia de Sófocles, é o título normalmente referido como a sua “primeira longa metragem oficial”, interpretada por actores não profissionais de Casalborgone e produzida pela RAI.(A partir do texto da Cinemateca Portuguesa)

Das Testament des Dr. Mabuse

Segundo filme sonoro de Fritz Lang e a sua última obra na Alemanha, antes da ascensão dos nazis ao poder, Das testament des Dr. Mabuse é uma verdadeira alegoria sobre o novo regime, que seria proibida por Goebbels logo após a tomada do poder pelos partidários de Hitler. Obra-prima cinematográfica absoluta, Dr. Mabuse também é uma arrepiante e perene parábola sobre o mal.

Exprmntl

O mítico Jacques Ledoux, director da Cinemateca Belga, fundou, em 1949, o mais importante evento da história do cinema experimental: o festival Exprmntl. Ali, foram exibidos os filmes surrealistas, dadaístas e abstractos do início do século e os nomes maiores do experimentalismo pós-guerra: Stan Brakhage, Peter Kubelka, Robert Breer ou Kenneth Anger. Exprmntl revisita as turbulentas cinco edições deste festival, recorrendo a excertos de filmes raros e entrevistas a figuras como Agnès Varda, Jonas Mekas, Harun Farocki e Michael Snow.