A estreia nas longas metragens do realizador sérvio é um tributo à sua falecida mãe. Stefan Djordjevic lida com esta morte misturando ficção e factos, imagens que filmou da mãe e um encontro, no presente, de toda a família. Enquanto tratam de um projecto que a homenageia, falam (e não se falam) do bom, do mau e do doloroso. À mistura, há um cão perdido que se tornará parte da família e do processo de luto.
O interlocutor do título WIND, TALK TO ME é o próprio vento. A resposta chega em forma de um filme poético que evita o sentimentalismo por meio de uma câmera firme e uma costura sensível de restos de imagens e sons. Na sua estreia em longa-metragem, Stefan Djordjevic trabalha a partir de imagens de arquivo de um projeto inicialmente concebido como um documentário sobre sua mãe. Após sua morte, esse material é resignificado e entrelaçado a novas imagens na construção de um relicário íntimo: um gesto fílmico de um filho-realizador em busca das respostas que a mãe-personagem deixou espalhadas como sopros no ar. Ao redor de sua câmera, orbitam a natureza, a família, os afetos e as memórias — fragmentos de vida que o vento insiste em devolver.
Lucas Camargo de Barros