Já sabíamos que ia ser assim: em 2194, cultivam-se corpos com uma aparência semelhante à humana e onde se depositam inteligências artificiais. As transferências entre o mundo digital e físico são o pão nosso de cada dia. Um agente de imigração do Departamento de Encarnações vem interrogar um ser em vias de transformação.
Num futuro situado em 2194, a transfiguração entre o mundo digital e o físico tornou-se uma prática comum, e inteligências artificiais podem agora ocupar corpos produzidos em laboratório, concebidos à imagem do humano. Neste contexto, um agente de um departamento responsável por estas transições entra numa instalação para interrogar uma entidade que está prestes a completar o seu processo de encarnação.
Weird to Be Human, de Jan Grabowski, constrói a sua narrativa a partir deste encontro, explorando a tensão entre uma entidade em transformação e uma estrutura institucional que regula e valida esse processo. Asséptico e minimalista, este espaço reforça a sensação de controlo e distância, contrastando com a vulnerabilidade e curiosidade da entidade.
Este confronto funciona como uma reflexão sobre os critérios que definem o humano. Mais do que uma questão de corpo, o filme sugere que a humanidade pode estar ligada à consciência, à sensibilidade ou até ao reconhecimento por parte de sistemas sociais. Ao mesmo tempo, evidencia como essas definições são condicionadas por estruturas burocráticas que tentam classificar e limitar aquilo que escapa ao normativo.
Dessa forma, Weird to Be Human apresenta-se como um ensaio visual e conceptual sobre identidade e empatia, questionando até que ponto o humano é uma condição natural ou uma construção determinada por regras e convenções. (Jéssica Pestana)