Na Catedral de Linz, o Hard-Chor, sob direcção de Alexander Koller, canta Bruckner. Stefan Tiefengraber, artista sonoro e visual, propõe que escutemos o habitualmente inaudível. Retirando a fonte sonora, o austríaco vai à procura do que dizem as pausas, da reverberação, do eco: o que está lá quando o som está calado?
Somos tomados por uma certa estranheza e surpresa com este pequeno filme conceptual. O que permanece nos momentos de silêncio de um coro? A partir das obras corais de Anton Bruckner, principalmente motetos caracterizados pela polifonia e sem acompanhamento musical, Tiefengraber desliga-nos a voz e mostra apenas a reverberação e o decaimento desses cantos divinos pelas paredes e abóbadas da Mariendom Linz, a maior igreja da Áustria. O coro cala-se, e permanece apenas o eco, ao qual se juntam as expressões faciais dos cantores quando não estão a cantar. À estranheza e surpresa junta-se uma certa comicidade. Uma ideia que Jocy de Oliveira certamente não desdenharia. (Carlos Ramos)