Arielle e Myriam contemplam e filosofam — os olhos postos lá fora, no breu estrelado. É o amor, os sacrifícios que por ele se faz, a insanidade que pode provocar. Duas divas numa homenagem aos primórdios do cinema.
Em complemento com “The Blood Countess” surge esta curta metragem do produtor/realizador espanhol Lluis Miñarro onde duas outras divas do cinema francês, Arielle Dombasle e Myriam Maziérès em plano fixo, conversam uma com a outra enquanto contemplam o céu, e o mundo aparentemente passa por elas. O vermelho espelhado no tom da sua conversa, provocante, acutilante e maravilhosamente sedutora, permite ao espectador entrar num jogo de segundo sentidos, onde nada é o que parece e até a forma mais original dos primórdios do cinema, conhece agora uma nova sofisticação. “Si el amor siempre es loquísimo”, então eu, que te darei? Ode e homenagem ao cinema. (Miguel Valverde)