Bom filho a casa torna. Robbie regressa à sua pequena cidade no interior de Nova Jérsia, onde a sua mãe ainda chora o súbito desaparecimento da filha Noelle. Investido em descobrir afinal o que aconteceu à sua irmã, o jovem realizador tenta refazer os seus passos, entrevista as gentes locais, procura sem parar. E a insistência começa a dar frutos.
O found footage está para o terror como o autotune para a música pop – goste-se ou não, veio para ficar, e ainda bem. Mas cautela, que por cada Future ou Charlie XCX há mil Rebecca Blacks. Que é como quem diz, para cada Rec ou Blair Witch Project, há mil The Devil Inside. Pois bem: este filme é uma outra coisa. Realizado por Robbie Banfitch, que nos trouxe o magnífico The Outwaters, Tinsman Road leva o seu tempo a estabelecer uma rotina e uma cumplicidade com o espectador, e percebe que o que faz o formato funcionar é o naturalismo das performances, a forma como momentos mundanos são passíveis de ser transformados em algo verdadeiramente horripilante. Robbie regressa à sua casa de família, em Nova Jérsia, para tentar apoiar a mãe e tentar desvendar o desaparecimento da irmã, Noelle. Consumida pelo luto, a mãe vagueia pela casa durante a noite, como se estivesse ela própria possuída, e vê sinais da filha por todo o lado. É um filme que exige paciência, como (algumas) coisas boas da vida. (Bruno Pereira)