Saura, Filipe, João, Beatriz, Rita e Marchana partilham uma língua própria construída sobre as dores de crescimento e as incertezas da vida adulta. Durante o verão, Saura e Filipe, outrora profundamente ligados, começam a afastar-se. Enquanto tentam perceber o que resta entre eles, a sua linguagem muda e, com ela, o grupo de amigos que partilham.
No verão tudo pode acontecer. Fazem-se novas amizades, encontram-se amores, dança-se, vai-se à praia, apanha-se sol e depois? Que sentimento resta quando a chama se desvanece, quando aquilo que era certo ontem, é totalmente incerto amanhã. Rodrigo Braz Teixeira, que nos tinha brindado antes com a curta metragem Miraflores, volta a este universo onde se sente confortável: o tempo das grandes dúvidas, dos lugares à nossa volta e das incertezas da vida adulta. Um casal, Saura e Filipe (ele regressado da curta) vai-se progressivamente afastando enquanto os dois estão a tentar perceber o que lhes está a acontecer. Ele é insistente, ela desafiante. Ela preocupada, ele, desatento. E esse binómio continua a girar até ficar num banho maria insuportável em que ou vai ou racha. Braz Teixeira sabe filmar pessoas e paisagens, sabe que o tempo que passa com elas permite-nos pertencer ao seu grupo, jantar com elas, rir-nos do que elas dizem e por fim, compreendermos também a sua realidade. E aí entra também Lula Pena, numa aparição fugaz e cheia de força. Filmado sempre com a delicadeza do toque, Teixeira lança-se, com esta primeira longa metragem, na vertigem contemporânea de um realismo intimista. (Miguel Valverde)