Uma visão intimista da relação do realizador com o conhecimento da causa da morte do pai, verdade que lhe foi escondida e, depois, transformada, ao longo dos anos, até que é revelada num momento de embriaguez de um familiar.
Assim como os inúmeros memoriais da AIDS, físicos ou digitais, RICHARD carrega a beleza singela de dar voz, corpo e justiça àqueles que morreram da doença sem que a verdade pudesse ser dita, elaborada e respeitada em vida — como foi o caso do pai do realizador falecido em 1993. Ao som da jóia The Sweetest Taboo, Manuel Wetscher o homenageia e permite que, mesmo tardiamente, Richard exista sem segredos como portador do HIV, ainda que apenas através de imagens de arquivo. Uma doce reparação histórica que parte do íntimo para dialogar com um mundo onde, 32 anos depois, a cura ainda não exista, e a luta ainda continua. (Pedro Gonçalves Ribeiro)