O trabalho deste homem faz-tudo não é aconselhado a menores de 18.
Uma proposta simples: uma versão ficcionada do realizador confunde uma frase inócua de um “faz-tudo” que contratou com um avanço sexual. Depois de esclarecida a confusão, a tensão da situação permanece. Face a isto, o Faz-Tudo propõe uma solução mutuamente benéfica: ele dispõe-se a mostrar o seu corpo nu ao cineasta se este em troca o filmar num videoclip da sua música favorita. O grosso do filme acaba por ser este vídeo. Num estado que Leal descreve resumidamente como “narrativa (?)”, através desta moldura metatextual e autoficcional, o filme apropria-se da linguagem do videoclip para se debruçar numa exploração delirante e bem-humorada do desejo. O desejo da pessoa, o desejo da câmara, a conciliação dos dois. Entre néons escarrapachados e formas progressivamente mais gratuitas de enquadrar genitais, o filme é uma filtração de fantasia e desejo através duma linguagem já existente, criando um sonho suspenso capaz de reconhecer o seu absurdo. (Vasco Muralha)