NOTA: Por questões técnicas alheias ao festival, este filme não poderá ser exibido.
Reputado emblema do teatro interventivo português, o rasgo da Cornucópia surgia na obscuridade fascista para combater no palco a ditadura. Entre os clássicos, nasce e morre um projecto, mas permanece icónico um rosto: Luís Miguel Cintra, que partilhou a sua arte com a permanente cumplicidade de uma cineasta, Solveig Nordlund. Juntos, organizam as suas gavetas, guiados por imagens, por vestígios e pelos testemunhos dos protagonistas que sobreviveram a esta História.
Há teatros em Lisboa que nos trazem muitas memórias, e por isso, o título escolhido para este filme parece-me inteiramente justificado, dado que o Teatro da Cornucópia será sempre um deles. Com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, em 1973, na sua origem e numa tentativa de profissionalizar as suas experiências no teatro universitário, cai um meteorito em Lisboa. Uma bomba revolucionária avant son temps. E é sempre num teatro questionado, pensado, debatido, em grupo, em equipa, mas com a personalidade dos seus fundadores que se foi moldando este projecto. A saída de Silva Melo, a partir de certo momento, obriga a uma restruturação do projecto, mas ele segue sob a batuta de Cintra e da cenógrafa Cristina Reis, elemento determinante da equipa. O filme segue com imagens de arquivo de vários espectáculos desde a sua origem até ao seu fecho, passando pelas peças emblemáticas, pelos actores e actrizes da companhia, pelos textos e pelos cenários. Um filme de Nordlund, que acompanhou ao longo dos anos esta companhia e os seus protagonistas, o que torna esta memória colectiva, uma memória também sua, através do cinema. Um filme para todas as pessoas que gostam de teatro e têm memória. (Miguel Valverde)